14 países da América Latina se unem aos EUA em sanções conjuntas contra PCC e CV — Lula deixa o Brasil de fora
Escudo das Américas reúne 15 nações contra 24 organizações classificadas como "redes narcoterroristas armadas"

Países latino-americanos se alinharam aos Estados Unidos na terça-feira (22) e anunciaram sanções conjuntas contra facções criminosas da região, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A iniciativa integra a coalizão Escudo das Américas, liderada por Washington e composta por 15 nações do continente: além dos Estados Unidos, assinam o documento Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O Brasil não está entre os signatários — uma ausência que salta aos olhos justamente por se tratar do país de origem e principal centro de atuação das duas maiores organizações agora sancionadas em bloco pelos vizinhos regionais. A omissão do governo Lula confirma, na prática, o mesmo padrão de resistência que o presidente já vinha demonstrando havia semanas, quando relativizou perante o próprio governo americano a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, chegando a afirmar publicamente que "grupos criminosos" não se "confundem" com terrorismo. Enquanto praticamente todos os vizinhos latino-americanos, de perfil ideológico variado — de Milei na Argentina a governos mais moderados como Costa Rica e Panamá —, reconhecem a gravidade das facções brasileiras a ponto de sancioná-las formalmente, o próprio Brasil, palco direto da atuação dessas organizações, prefere ficar de fora de uma coalizão hemisférica montada especificamente para combatê-las.
Em comunicado conjunto divulgado pelo Departamento de Estado, os governos signatários justificam que as 24 organizações classificadas no documento como "redes narcoterroristas armadas" representam ameaça imediata e universalmente compartilhada à paz, à segurança e à prosperidade da população do Hemisfério Ocidental. As punições previstas incluem bloqueio de ativos financeiros, restrições de migração e vistos para integrantes, associados e apoiadores, além de enquadramento criminal de quem prestar suporte logístico ou material a esses grupos — medidas que serão aplicadas conforme a legislação interna de cada país signatário.
Para institucionalizar o cerco financeiro e operacional, o bloco pretende acionar o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos para convocar o Órgão de Consulta no âmbito do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, buscando respaldo multilateral e ações coordenadas de inteligência e segurança contra o narcotráfico em todo o continente.
Enquanto o país mais diretamente afetado pela expansão internacional do PCC e do Comando Vermelho opta por não integrar a coalizão continental formada exatamente para combater essas organizações, os demais países da região, muitos deles com economias e aparatos de segurança pública mais modestos que o brasileiro, decidem agir. A recusa do governo Lula em aderir ao Escudo das Américas transforma o Brasil, paradoxalmente, no principal ponto cego de uma estratégia hemisférica desenhada para conter ameaças que nasceram justamente dentro de suas próprias fronteiras.





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