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A indústria brasileira em retrocesso


A indústria brasileira atravessa um período de retração que não pode ser compreendido apenas pela ótica conjuntural. Os dados recentes revelam a continuidade de uma tendência que se aprofunda há mais de uma década e que se distancia da narrativa governamental de dinamismo econômico. O declínio acentuado da posição do Brasil no ranking global de expansão industrial, medido por organismos internacionais, indica não apenas perda de ritmo, mas deterioração estrutural. O país volta a experimentar elementos que marcaram momentos críticos do passado, especialmente quando escolhas políticas reforçaram a presença do Estado em detrimento da liberdade econômica e da racionalidade produtiva.


O levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, apoiado em dados da ONU, mostra que o Brasil caiu da 24ª para a 64ª posição entre 2024 e 2025. A redução de quarenta colocações em um único ano destaca a velocidade do retrocesso e a distância em relação às economias que ampliaram sua capacidade produtiva. Angola registrou 43,4% de crescimento industrial, Togo superou 30%, o Vietnã avançou 28% e a Rússia, mesmo submetida a pressões geopolíticas e restrições comerciais, alcançou aproximadamente 4%. Enquanto isso, a média mundial foi de 3,9%, e o Brasil não passou de 0,1%.


Os números revelam mais que estagnação. A produção industrial brasileira está 13% abaixo do nível observado em 2013. Trata-se de um processo contínuo, associado ao retorno de práticas que já demonstraram sua ineficácia no passado. Inflação persistente, juros elevados, expansão acelerada do gasto público e perda de autonomia do ambiente produtivo lembram o quadro vivido nos anos 1980, marcado pela perda de capacidade industrial e pela deterioração do investimento privado.


Em contraste, economias desenvolvidas adotam políticas voltadas à revitalização industrial. Os Estados Unidos buscam atrair de volta plantas produtivas, reduzindo entraves regulatórios e estimulando setores de maior valor agregado. Na Europa, a discussão gira em torno da renovação tecnológica, da reestruturação das cadeias de valor e da proteção estratégica de setores essenciais. O Brasil segue direção inversa. Ao aprofundar sua dependência de bens primários e ampliar a importação de produtos finalizados, torna-se vulnerável às oscilações externas e às decisões de potências industriais.


Os indicadores internos reforçam a fragilidade do ambiente produtivo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial permanece abaixo de cinquenta pontos há onze meses, refletindo uma percepção generalizada de incerteza. As causas são evidentes: carga tributária elevada, juros reais entre os mais altos do mundo e favorecimento comercial a produtos importados, especialmente asiáticos. A combinação desses fatores limita investimentos, inviabiliza a modernização de plantas industriais e reduz a competitividade nacional.


A Confederação Nacional da Indústria indica que quarenta por cento das empresas apontam os impostos como principal barreira ao crescimento. O endividamento das famílias e a perda de renda comprimem a demanda interna. Ao mesmo tempo, a política econômica concede incentivos para importados enquanto eleva a carga sobre a produção nacional, criando assimetria prejudicial ao setor produtivo.


O impacto também alcança o agronegócio, setor mais eficiente da economia. A inadimplência no crédito rural alcançou 9,35% em agosto de 2025, o maior índice da série histórica, e as recuperações judiciais aumentaram 61%. Mesmo com exportações superiores a 160 bilhões de dólares e participação expressiva no PIB, o setor enfrenta limitações decorrentes de condições meteorológicas adversas, custos elevados e forte dependência de fertilizantes importados, muitos provenientes de regiões instáveis.


A perspectiva de um El Niño mais intenso no segundo semestre de 2026 amplia os riscos. Alterações no regime de chuvas, secas prolongadas e eventos extremos podem comprometer safras, pressionar o abastecimento interno e elevar o preço dos alimentos. Em um cenário como esse, a ausência de uma política de mitigação baseada em incentivos ao investimento e racionalidade econômica torna o país mais vulnerável.


No debate político, observa-se a tentativa de transferir responsabilidades. Parte do governo atribui os efeitos inflacionários e os desequilíbrios internos a fatores externos, como a política adotada pelos Estados Unidos sob Donald Trump. Essa narrativa, no entanto, ignora condicionantes domésticos: expansão contínua do gasto público, ausência de reformas estruturais, elevação da carga tributária e políticas industriais desconectadas das necessidades reais do setor privado.


Os dados apontam que o Brasil segue uma trajetória que já comprovou seu potencial destrutivo no passado. A estagnação industrial, o desestímulo ao investimento produtivo, a perda de competitividade e a ampliação da dependência externa são sintomas de um modelo que reduz a liberdade econômica e fortalece práticas que privilegiam o Estado em detrimento do empreendedorismo. Esse cenário afeta diretamente a vida do cidadão, elevando custos, restringindo oportunidades e limitando perspectivas de crescimento.


A reversão dessa trajetória exige compromisso com princípios de mercado, autonomia institucional, estabilidade monetária, redução do aparato estatal e estímulo ao investimento privado. Sem isso, o país continuará a repetir ciclos de retrocesso que comprometem sua capacidade de desenvolvimento e sua posição no sistema econômico global.



1 comentário


É impressionante, como a esquerda conseguiu deteriorar o ja combalido parque industrial brasileiro nesses três anos, talvez mais do que em 40 anos de nova República e socialismo.

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