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Arrecadação federal bate recorde de R$ 229 bilhões em março

Governo Lula segue entregando déficits recorrentes, mesmo com carga tributária em níveis exorbitantes



A Receita Federal informou nesta terça-feira que a arrecadação do governo federal somou R$ 229,249 bilhões em março, alta real de 4,99% sobre o mesmo mês de 2025 e o melhor resultado para meses de março em toda a série histórica, iniciada em 1995. No acumulado do primeiro trimestre, os R$ 777,117 bilhões também representam recorde para o período, com crescimento real de 4,58% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.


O recorde, porém, precisa ser contextualizado. Num país que figura entre os mais tributados do mundo, crescimento de arrecadação não é sinônimo de prosperidade econômica: é, antes, a evidência de que o Estado amplia sua fatia sobre a renda de trabalhadores e empresas. E o teste definitivo de uma boa gestão fiscal não está em quanto o governo arrecada, mas no que faz com esses recursos. Nesse quesito, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumula um histórico que os recordes de receita não conseguem encobrir: déficit de R$ 230,535 bilhões em 2023, R$ 11 bilhões em 2024 e R$ 61,7 bilhões em 2025. A arrecadação cresce, e o rombo persiste, porque os gastos crescem ainda mais rápido.


Entre os destaques do mês, o Imposto sobre Operações Financeiras cresceu 50,1% em relação a março de 2025, com alta de R$ 2,785 bilhões, reflexo do aumento de alíquotas promovido pelo governo no ano passado. A escalada do IOF é um exemplo concreto do mecanismo: quando o governo precisa de mais dinheiro, eleva tributos sobre transações financeiras que afetam diretamente empresas e cidadãos, encarecendo crédito e reduzindo a capacidade de investimento do setor produtivo. O Imposto de Importação e o IPI vinculado cresceram 30,7%, impulsionados pelo volume maior de importações e pela elevação de alíquotas médias, outra fonte de pressão sobre os custos das empresas que importam insumos. As contribuições previdenciárias avançaram 4,95% em termos reais, beneficiadas pela massa salarial em alta e pela redução das desonerações de folha que o governo promoveu.


O único componente que recuou foi a receita administrada por outros órgãos, que inclui royalties de petróleo, caindo 13,52% para R$ 5,718 bilhões. A queda reflete a volatilidade dos royalties num período em que a guerra no Oriente Médio altera os preços e os fluxos de produção, mas seu peso no total é insuficiente para compensar a expansão dos tributos diretos.


O Brasil que bate recorde de arrecadação em março é o mesmo em que as famílias comprometem 29,7% da renda com o pagamento de dívidas, o endividamento atingiu o maior patamar histórico de 49,9% e a cesta básica subiu em todas as 27 capitais. A carga tributária máxima e o gasto público desenfreado produzem, juntos, o pior dos mundos: um Estado que retira cada vez mais da economia sem conseguir equilibrar suas próprias contas.



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