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Arrecadação federal sobe 10,7% em maio e soma R$ 266,8 bilhões

Acumulado de janeiro a maio atinge R$ 1,323 trilhão com alta real de 6,42%



A arrecadação federal registrou alta real de 10,7% em maio em relação ao mesmo mês de 2025, somando R$ 266,793 bilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (25). No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação cresceu 6,42% acima da inflação na comparação com o mesmo período de 2025, alcançando R$ 1,323 trilhão.


Os números revelam o paradoxo fiscal mais grave do atual governo: a arrecadação cresce consistentemente acima da inflação há anos e ainda assim o Brasil acumula déficits primários recorrentes, com a dívida bruta chegando a 80,4% do PIB e o déficit primário de março atingindo R$ 80,7 bilhões, muito acima da projeção de R$ 66,75 bilhões. O problema não é que o governo arrecade pouco. É que gasta muito mais do que arrecada.


O Brasil já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo em desenvolvimento, com tributos consumindo 32,32% do PIB em 2024, percentual similar ao de países como França e Alemanha. A diferença é que esses países entregam ao contribuinte educação de qualidade, infraestrutura moderna e saúde universal. O Brasil, pelo 15º ano consecutivo, ocupa a última posição no ranking do IMD que mede o retorno de impostos em qualidade de vida entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo. O contribuinte brasileiro paga impostos de país rico e recebe serviços públicos de padrão muito inferior.


O governo Lula respondeu a essa equação não cortando gastos, mas aumentando ainda mais a arrecadação. Desde 2023, normas aprovadas pelo Executivo e pelo Congresso adicionaram R$ 146,9 bilhões ao custo Brasil ao ano, segundo estudo da Fiemg, concentrados em carga tributária crescente, encargos trabalhistas e ambiente jurídico-regulatório mais oneroso. Ao mesmo tempo, as despesas primárias seguem em trajetória de expansão, com o governo criando novos programas sociais, aumentando o funcionalismo, mantendo estatais deficitárias com projeção de déficit até 2030 e resistindo a qualquer ajuste estrutural que comprometa a base eleitoral.


O resultado é previsível e já está nos dados: arrecadação recorde, déficit recorde, dívida em trajetória ascendente, inflação acima do teto da meta pela 15ª semana consecutiva nas projeções do mercado e juro real mais alto do mundo em 9,67% ao ano. A Instituição Fiscal Independente projeta que a dívida bruta chegará a 86,2% do PIB em 2027. O governo que anuncia com orgulho uma arrecadação de R$ 1,323 trilhão em cinco meses é o mesmo que entrega déficits, onera empresas e famílias com uma carga tributária incompatível com a qualidade dos serviços prestados e mantém o Brasil na última posição do ranking de retorno fiscal há quinze anos consecutivos.



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