top of page

Banco do Brasil (BBAS3) registra queda de 53% no lucro no 1º trimestre

ROE despenca para 7,3%, deixando o banco abaixo de todos os pares




O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação ao mesmo período de 2025, conforme resultado divulgado na quarta-feira (13).


O resultado reflete a combinação de fatores que vêm corroendo os resultados do banco desde o terceiro trimestre de 2024: a deterioração da inadimplência no agronegócio e os efeitos da Resolução CMN nº 4.966/2021, que endureceu as regras e obrigou a elevação das provisões para calotes. "O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado", afirmou a CEO Tarciana Medeiros, reconhecendo que as dificuldades que se concretizaram no trimestre já haviam sido sinalizadas à frente.


O impacto na rentabilidade foi severo. O ROE despencou 9,4 pontos percentuais na comparação anual para 7,3%, num patamar que coloca o Banco do Brasil abaixo de todos os seus pares de grande porte: Itaú Unibanco encerrou o trimestre com ROE de 24%, Santander com 16% e Bradesco com 15,8%. O banco segue distante dos 20% considerados referência pelo mercado, sem perspectiva de recuperação rápida enquanto a inadimplência rural permanecer no nível atual.


A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual na comparação anual, com a carteira agropecuária no mesmo patamar. O segmento concentrou 30,1% de todos os processos de recuperação judicial do país em 2025, equivalente a 743 CNPJs, segundo a Serasa Experian. As perdas esperadas associadas ao risco de crédito subiram 18,4% em relação ao ano anterior. A margem financeira bruta subiu 14,8%, mas a margem financeira líquida despencou 37,6% para R$ 8,5 bilhões, refletindo o impacto das provisões mais elevadas.


A carteira total de crédito cresceu 2,2% nos últimos 12 meses para R$ 1,3 trilhão. A carteira de pessoa física avançou 7,8% para R$ 361 bilhões, puxada pelo crédito consignado e pelo consignado privado lançado no ano passado. A carteira de pessoa jurídica encolheu 1,3% no trimestre e 2,4% no ano para R$ 449 bilhões. No agronegócio, a carteira cresceu 3% para R$ 418,4 bilhões, com R$ 37,9 bilhões vinculados ao Programa BB Regulariza Agro.


O banco revisou para baixo o guidance de lucro para 2026: a projeção anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões foi cortada para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, transformando o teto anterior no novo piso. O custo de capital também foi revisado para cima, saindo da faixa de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões. Em contrapartida, a margem financeira foi revisada positivamente, de crescimento entre 4% e 8% para entre 7% e 11%.



bottom of page