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Bank of America rebaixa Brasil de "overweight" para "marketweight" e vê Selic em 14,25% até o fim de 2026

Banco cita menor espaço para cortes de juros, riscos inflacionários e volatilidade eleitoral



Os estrategistas do Bank of America cortaram nesta quarta-feira a classificação do Brasil em seu portfólio de ações para a América Latina de "overweight" para "marketweight", citando perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos.


Para entender o que essa mudança significa, é necessário explicar as classificações. "Overweight", ou sobreponderar, indica que o banco recomenda aos seus clientes ter uma exposição ao Brasil maior do que o peso que o país representa nos índices de referência, apostando que o mercado brasileiro vai se sair melhor do que a média. "Marketweight", ou ponderar conforme o mercado, significa que o banco recomenda manter uma exposição ao Brasil igual ao seu peso nos índices, sem apostas direcionais de que vai superar ou ficar abaixo da média regional. É, portanto, uma recomendação de neutralidade que substitui uma recomendação de otimismo.


"O menor espaço para cortes de juros elimina um importante fator doméstico de suporte", afirmaram os estrategistas no relatório. O Bank of America agora projeta a Selic em 14,25% até o fim de 2026, contra 13,25% estimados anteriormente, o que implica apenas um corte adicional de 0,25 ponto percentual em junho, seguido de uma pausa prolongada. A Selic está atualmente em 14,5%.


O banco também citou os riscos de inflação inclinados para cima, em meio à fraqueza do real, e a crescente volatilidade relacionada às eleições presidenciais de outubro como fatores que pesaram na decisão. No portfólio regional, os estrategistas aumentaram a exposição a Chile e Colômbia, onde a vitória do candidato conservador Abelardo De La Espriella no primeiro turno animou os mercados. A Argentina manteve classificação "overweight", refletindo o otimismo com as reformas do presidente Javier Milei, e o México manteve "marketweight", com alguma exposição ao Peru.


O rebaixamento do BofA segue movimento similar do JPMorgan, que havia projetado que as ações brasileiras devem "andar de lado no médio prazo" diante do ritmo mais lento de afrouxamento monetário e da incerteza eleitoral. A confluência de grandes bancos revisando para baixo suas recomendações sobre o Brasil reflete um mercado que perdeu 15% desde os recordes de abril e que encontra cada vez menos catalisadores positivos para uma recuperação sustentada.



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