Boletim Focus: Inflação acelera pela 12ª semana seguida e projeções reforçam deterioração da economia do Brasil
- Núcleo de Notícias

- 1 de jun
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Mercado prevê preços cada vez mais pressionados, juros elevados por longo período e crescimento incapaz de ganhar tração

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
O mais recente Boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil mostra uma nova piora nas expectativas para a economia brasileira. A inflação voltou a subir para 2026, ampliando uma sequência de revisões negativas que já dura 12 semanas, enquanto os juros seguem em patamar elevado e as perspectivas de crescimento continuam insuficientes para impulsionar a atividade econômica de forma consistente.
INFLAÇÃO
A deterioração inflacionária permanece como o principal fator de preocupação. Para 2026, a projeção do IPCA avançou de 5,04% para 5,09%, registrando a 12ª alta consecutiva. O movimento demonstra que o mercado continua enxergando dificuldades crescentes para o controle dos preços nos próximos anos.
Para 2027, a expectativa também piorou, passando de 4,01% para 4,02%, na segunda elevação seguida. Em 2028, a projeção avançou de 3,65% para 3,66%. Já para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50% pela 39ª semana consecutiva.
No IGP-M, a situação é igualmente negativa. Para 2026, a projeção subiu de 5,91% para 6,00%, acumulando 13 semanas consecutivas de alta. Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,00% pela 15ª semana seguida. As projeções para 2028 e 2029 seguiram em 3,82% e 3,70%, respectivamente, mantidas há três e sete semanas.
Os preços administrados apresentaram leve recuo para 2026, passando de 4,99% para 4,98%. Ainda assim, o patamar continua elevado. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,81%. Já para 2028 e 2029, as expectativas seguem em 3,50%, estáveis há 27 e 46 semanas, respectivamente.
PIB
O crescimento econômico continua mostrando sinais de fraqueza estrutural. Para 2026, a projeção do PIB subiu marginalmente de 1,89% para 1,90%, registrando a segunda alta consecutiva. Apesar disso, o avanço permanece extremamente modesto para uma economia do porte brasileiro.
Para 2027, a expectativa permaneceu em apenas 1,70%, sinalizando continuidade do baixo dinamismo econômico. Já para 2028, os economistas mantiveram a projeção em 2,00% pela 116ª semana consecutiva. Para 2029, a estimativa também segue em 2,00%, estável há 63 semanas.
CÂMBIO
O câmbio apresentou novas revisões para baixo, mas o real continua projetado em um nível de desvalorização significativo. Para 2026, a projeção do dólar caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16, registrando a segunda queda consecutiva.
Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,26 para R$ 5,25, acumulando três semanas seguidas de redução. Em 2028, a expectativa foi mantida em R$ 5,30. Já para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40 pela quarta semana consecutiva.
SELIC
Os juros continuam em níveis elevados e sem perspectiva de queda significativa no horizonte analisado. Para 2026, a projeção da taxa Selic permaneceu em 13,25% ao ano pela segunda semana consecutiva.
Para 2027, a expectativa também seguiu em 11,25%, estável há três semanas. Em 2028, os economistas mantiveram a projeção em 10,00% ao ano pela 19ª semana consecutiva. Para 2029, a estimativa também permaneceu em 10,00%, nível mantido há quatro semanas.
O conjunto dos dados reforça um cenário de inflação persistente, crescimento econômico limitado e juros elevados por um período prolongado. A combinação desses fatores tende a restringir investimentos, encarecer o crédito e dificultar uma recuperação mais robusta da economia brasileira nos próximos anos.




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