Brasil fica fora de lista europeia de países autorizados a exportar carnes para a UE e pode ter acesso bloqueado em setembro
- Núcleo de Notícias

- 12 de mai.
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Ausência está ligada a regras sobre uso de antimicrobianos; JBS, Marfrig e Minerva estão expostas ao risco; setor garante que exportações seguem normais e que Brasil cumpre todos os requisitos europeus

O Brasil não consta na lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia em regra sanitária que entrará em vigor em 3 de setembro de 2026, o que pode barrar as exportações brasileiras do maior exportador global de carne bovina e de frango caso o país não comprove conformidade com os requisitos europeus até lá.
A porta-voz para saúde da Comissão Europeia, Eva Hrnčířová, confirmou que a ausência do Brasil na lista significa que o país não poderá mais exportar bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas à UE a partir de setembro caso não se adeque. A questão central é o uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produção animal, prática proibida na União Europeia. Para ser incluído na lista de países autorizados, o Brasil precisa garantir o cumprimento dessas regras ao longo de toda a vida útil dos animais.
"Temos mantido contato próximo com as autoridades brasileiras sobre essa questão e continuaremos em contato para trabalhar em prol do cumprimento desses requisitos. Uma vez demonstrado o cumprimento, a UE poderá autorizar as exportações", disse a porta-voz.
O setor produtivo brasileiro reagiu negando qualquer irregularidade e ressaltando que as exportações seguem sem restrições no momento. "É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias", afirmou a Associação Brasileira de Proteína Animal, que representa produtores de frango e suína. A ABPA informou ainda que o Ministério da Agricultura prestará todos os esclarecimentos necessários para o retorno do Brasil à lista autorizada.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, que representa produtores de carne bovina incluindo JBS, Marfrig e Minerva, confirmou que o Brasil "segue plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu" e que "não há, neste momento, qualquer proibição das exportações para o bloco." A Abiec informou ainda que há previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para conclusão do processo técnico sobre o assunto.
A notícia chega num momento delicado para o setor de carnes brasileiro. A tarifa chinesa de 55% já deve reduzir as exportações de carne bovina em cerca de 10% em 2026, e a investigação americana por suposto conluio entre frigoríficos adiciona pressão regulatória nos EUA. A eventual perda de acesso ao mercado europeu, mesmo que temporária, representaria um terceiro front de pressão simultânea.




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