Brasil registra déficit de US$ 5,05 bilhões em transações correntes em agosto
Rombo acumulado em 12 meses equivale a 2,47% do PIB

O Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central. No acumulado dos últimos 12 meses, o rombo totaliza o equivalente a 2,47% do Produto Interno Bruto.
As transações correntes medem o saldo entre tudo o que o país recebe e tudo o que paga ao exterior em determinado período, abrangendo o comércio de bens e serviços, os rendimentos de investimentos e as transferências unilaterais. Quando o resultado é negativo, significa que o Brasil gastou mais dólares com o resto do mundo do que arrecadou, e essa diferença precisa ser coberta por entrada de capital estrangeiro, seja por investimentos diretos em empresas e projetos no país, seja por aplicações financeiras. Quanto maior e mais persistente o déficit, maior a dependência da economia brasileira da disposição de investidores internacionais em financiar suas contas externas, o que costuma pressionar o câmbio em momentos de menor apetite por risco.
Dois componentes explicaram a piora no mês. A conta de renda primária, que registra o que o Brasil envia ao exterior e recebe de lá em forma de lucros, dividendos, juros e outros rendimentos de investimentos, teve déficit de US$ 6,954 bilhões em agosto, ante rombo de US$ 5,407 bilhões no mesmo mês do ano anterior.
Já a conta de serviços, que contabiliza operações como viagens internacionais, transporte, fretes, seguros e aluguel de equipamentos, apresentou déficit de US$ 5,251 bilhões, contra US$ 4,095 bilhões em agosto de 2024 — a diferença aponta para uma expansão dos gastos brasileiros com serviços contratados no exterior, categoria em que o país historicamente é deficitário.
O resultado confirma o quadro já sinalizado em julho, quando o déficit em transações correntes havia atingido US$ 8,11 bilhões, o maior para o mês desde 2019, e reforça a projeção recente do próprio Banco Central, que no Relatório de Política Monetária estimou rombo de US$ 60 bilhões em 2026, acima dos US$ 56 bilhões projetados em junho — um cenário que amplia a importância do fluxo de capital estrangeiro para o equilíbrio das contas externas brasileiras num momento de juros globais mais altos e incerteza eleitoral doméstica.





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