BRB assina memorando com a Quadra Capital para criar fundo de R$ 15 bilhões com ativos herdados do Master
- Núcleo de Notícias

- 21 de abr.
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Operação visa fortalecer capital e liquidez do banco público do DF após crise de insolvência; acordo ocorre quatro dias após prisão do ex-presidente do BRB por propina de R$ 146 milhões ligada ao mesmo pacote de ativos

O Banco de Brasília anunciou na noite de segunda-feira a assinatura de um memorando de entendimento com a Quadra Capital para a criação de um fundo de investimento destinado à transferência de ativos oriundos das operações recebidas pelo BRB do Banco Master, com valor de referência de R$ 15 bilhões. Segundo o comunicado, a operação visa a alienação dos ativos com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital e a liquidez do banco público do Distrito Federal. A efetivação está condicionada ao cumprimento de condições precedentes previstas no memorando.
O anúncio ocorre num momento em que o BRB enfrenta crise aguda de liquidez. Como reportado pelo Rumo News na segunda-feira, o banco chegou perto da insolvência em 10 de abril, já vendeu cerca de R$ 10 bilhões em carteiras com desconto a concorrentes e tem margem para repassar mais R$ 10 bilhões antes de esgotar as alternativas disponíveis. Executivos da instituição estimam que o banco precisa de uma solução em poucos dias.
O memorando com a Quadra Capital é a resposta mais concreta apresentada até agora pela nova gestão do BRB à crise de liquidez. Com valor de referência de R$ 15 bilhões, a operação seria a maior alienação de ativos da história recente do banco e, se concluída, daria fôlego significativo à instituição. O desafio, como analistas já apontaram, é que boa parte dos ativos herdados do Master tem lastro duvidoso, o que limita o apetite do mercado e pressiona os preços para baixo.
O contexto jurídico que cerca esses mesmos ativos é igualmente complexo. Em 16 de abril, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de ter negociado o recebimento de propina de R$ 146 milhões em seis apartamentos de luxo como contrapartida pela compra, pelo BRB, de carteiras fraudulentas do Master. A prisão foi a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de Daniel Vorcaro, também preso. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, e Paulo Henrique Costa havia sido afastado do comando do BRB por ordem judicial na mesma ocasião.
A sobreposição entre os ativos que o BRB tenta agora vender ao mercado via fundo da Quadra Capital e os ativos que estão no centro das investigações criminais é o principal risco da operação. Qualquer questionamento judicial sobre a validade ou o valor das carteiras originadas no Master pode contaminar o fundo e reduzir ainda mais o interesse dos compradores.




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