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BRB sofre novo rebaixamento, exposto a risco elevado após escândalos de gestão

Fitch aponta falhas graves de governança, investigações sobre fraudes milionárias e incerteza total sobre eventual socorro estatal, deixando o banco em situação crítica


📷 Gabriela Biló/Folhapress
📷 Gabriela Biló/Folhapress

A Fitch Ratings rebaixou novamente os indicadores de risco do Banco de Brasília (BRB), colocando a instituição em um dos níveis mais baixos de sua escala. Os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) de Longo Prazo — tanto em moeda estrangeira quanto local — caíram de ‘B-’ para ‘CCC’. A agência também reduziu o Rating de Viabilidade para ‘ccc’, antes ‘b-’, e derrubou o Rating Nacional de Longo Prazo de ‘BBB+(bra)’ para ‘CCC(bra)’. Todos permanecem em Observação Negativa, sinalizando deterioração contínua.


No mesmo movimento, a Fitch retirou o Rating de Suporte do Controlador, substituindo-o por um Rating de Suporte do Governo classificado como “Sem Suporte”. Na avaliação da agência, o BRB não pode mais contar com perspectiva realista de ajuda pública diante da gravidade da crise interna e da instabilidade institucional que também envolve o próprio acionista controlador.


O rebaixamento é atribuído ao enfraquecimento significativo da governança e dos controles internos do banco, especialmente após o afastamento judicial de dois diretores. As investigações envolvem carteiras de crédito consideradas fraudulentas, adquiridas do Banco Master — liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro — e expõem fragilidades profundas nas práticas de supervisão e gestão de riscos. Segundo a Fitch, o risco de falha da instituição aumentou substancialmente, e eventuais impactos podem afetar o balanço, a capitalização e a credibilidade da marca.


A agência também destaca que a dimensão final das perdas ainda é desconhecida. A Observação Negativa reflete justamente essa incerteza sobre o alcance das irregularidades e seus efeitos financeiros. Para esclarecer a situação, o conselho de administração do BRB contratou uma auditoria externa especializada, encarregada de examinar as denúncias levantadas pelas autoridades e mapear o tamanho do problema.


Além disso, a decisão de retirar o Rating de Suporte do Controlador ocorre em razão da complexidade jurídica e política associada à crise. Como as investigações alcançam o próprio governo do Distrito Federal, eventual socorro estatal se torna incerto, politicamente sensível e de execução difícil. Para a Fitch, esses fatores tornam improvável qualquer movimento coordenado e eficaz de apoio extraordinário ao banco, motivo pelo qual o suporte público deixou de ser considerado relevante para a avaliação de risco.


Com governança fragilizada, investigações em curso e sem a perspectiva concreta de auxílio do controlador, o BRB permanece exposto a um cenário que combina instabilidade, perda de confiança e risco elevado de deterioração adicional.



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