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Casa Branca rejeita relatos de fechamento do Estreito e Israel lança maior ataque ao Líbano desde o início da guerra

Porta-voz afirma que tráfego no Estreito de Ormuz aumentou nesta quarta e que relatos iranianos sobre fechamento são "completamente inaceitáveis"; ministro das Relações Exteriores do Irã exige que os EUA escolham entre o cessar-fogo e os ataques israelenses no Líbano



O cessar-fogo anunciado na véspera entre os Estados Unidos e o Irã começou a ser testado ainda nas primeiras horas desta quarta-feira, com relatos de que o Estreito de Ormuz estaria sendo fechado novamente pelo Irã em resposta à ofensiva israelense no Líbano, e com Israel confirmando ter lançado o maior ataque sobre o país desde o início da Operação Roaring Lion. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi ao púlpito para rebater os relatos iranianos e defender a validade do acordo.


"Com relação aos primeiros relatos da mídia estatal iraniana, o presidente foi informado antes de eu vir ao púlpito. Isso é completamente inaceitável", disse Karoline Leavitt. A porta-voz afirmou que o presidente Donald Trump recebeu informações privadas de que o trânsito no Estreito está de fato aumentando nesta quarta-feira e que os relatos públicos do lado iraniano são falsos. "O que eles dizem publicamente é diferente do que dizem privadamente. Vimos um aumento no tráfego no Estreito hoje. Reitero a expectativa e exigência do presidente de que o Estreito de Ormuz seja reaberto imediata, rápida e seguramente", afirmou.


O ponto de atrito central é a distinção que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estabeleceu ao deixar claro que o cessar-fogo anunciado pelo presidente Donald Trump entre os Estados Unidos e o Irã não se aplica ao Líbano. Para Israel, o conflito com o Hezbollah, organização terrorista financiada e armada por Teerã, é uma frente separada que segue seu próprio curso. Com base nesse entendimento, a Força Aérea israelense lançou nesta quarta-feira o que descreveu como seu "maior ataque ao Líbano" desde o início das operações, atingindo cerca de 100 centros de comando e infraestruturas militares do Hezbollah em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do Líbano.


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu com uma ultimato diplomático antes da coletiva da Casa Branca. "Os termos do cessar-fogo Irã-EUA são claros e explícitos: os EUA devem escolher, cessar-fogo ou guerra continuada via Israel. Não podem ter os dois", afirmou. "O mundo vê os massacres no Líbano. A bola está do lado dos EUA, e o mundo está observando se agirão conforme seus compromissos", acrescentou o ministro Araghchi.


A tensão desta quarta-feira expõe a fragilidade estrutural do cessar-fogo: o acordo foi negociado entre Washington e Teerã, mas Israel, que conduziu sua própria campanha militar paralela à americana, não está vinculado aos mesmos termos e mantém objetivos que incluem a neutralização definitiva do Hezbollah no Líbano. O Irã, por sua vez, trata qualquer ataque israelense ao Líbano como extensão da guerra que os Estados Unidos deveriam ter encerrado, usando essa ambiguidade para justificar o não cumprimento de sua parte no acordo de reabertura do Estreito.


A questão que se coloca agora para o presidente Donald Trump é delicada: pressionar Israel a suspender as operações no Líbano para salvar o cessar-fogo com o Irã, ou manter o apoio irrestrito ao aliado israelense e aceitar que o acordo de 48 horas já começa a mostrar suas primeiras rachaduras.



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