Conselho de Paz liderado por Donald Trump inicia reuniões
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- há 11 horas
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Primeiro encontro em Washington tem foco na reconstrução de Gaza, discute cessar-fogo, financiamento bilionário e desarmamento do Hamas como condição para estabilidade duradoura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dará início nesta quinta-feira à primeira reunião do recém-criado Conselho de Paz, iniciativa apresentada como instrumento para avançar na próxima etapa do cessar-fogo e da reconstrução da Faixa de Gaza. O encontro, que ocorrerá em Washington, não é tratado pela administração norte-americana como um momento de ruptura imediata, mas como etapa de consolidação política e operacional de um plano multibilionário.
Pelo menos 20 países confirmaram presença na sessão inaugural, na qual o presidente Trump deverá presidir as discussões sobre um arcabouço financeiro para reconstrução, coordenação humanitária e eventual envio de uma força internacional de estabilização. A proposta foi anunciada pelo presidente durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e desde então vem sendo estruturada com apoio de aliados estratégicos no Oriente Médio, Ásia e Europa Oriental.
Entre os integrantes iniciais estão Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Catar, Bahrein, Paquistão, Turquia, Israel, Hungria, Marrocos, Kosovo, Albânia, Bulgária, Argentina, Paraguai, Cazaquistão, Mongólia, Uzbequistão, Indonésia e Vietnã. No último domingo, o presidente Donald Trump informou que os membros já haviam prometido US$ 5 bilhões para a reconstrução de Gaza, além de compromissos de envio de pessoal para missões de estabilização e policiamento internacional. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o Conselho de Paz poderá se tornar o organismo internacional mais relevante da história contemporânea.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aderiu formalmente ao acordo na semana passada, durante reunião com o secretário de Estado Marco Rubio. A decisão consolidou a participação israelense na estrutura, mesmo diante de resistências anteriores relacionadas ao protagonismo de Turquia e Catar nas discussões sobre o futuro de Gaza. A adesão é interpretada como parte de um cálculo estratégico que prioriza a relação bilateral entre Israel e os Estados Unidos.
Apesar do entusiasmo inicial, analistas observam que o êxito do encontro dependerá menos dos anúncios financeiros e mais da convergência política em torno de uma questão central: o desarmamento do Hamas. A organização terrorista mantém controle significativo na região, o que representa obstáculo para qualquer plano de reconstrução de médio e longo prazo. Sem avanços concretos na desmilitarização, há resistência de parte dos doadores em liberar recursos substanciais.
O financiamento também deve dominar as discussões. Embora promessas de aporte tenham sido feitas, diplomatas alertam que compromissos declarados nem sempre se convertem rapidamente em desembolsos efetivos. Parte dos recursos tende a ser direcionada inicialmente para ajuda humanitária emergencial e estabilização básica, enquanto a reconstrução estrutural mais ampla dependerá de garantias de segurança no terreno.
A iniciativa também provocou reações cautelosas na Europa. Autoridades europeias manifestaram dúvidas sobre a compatibilidade do Conselho de Paz com resoluções anteriores do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que o mandato originalmente previsto para Gaza possuía caráter mais delimitado e prazo definido até 2027. Ainda assim, analistas avaliam que o novo organismo não deve substituir o sistema multilateral das Nações Unidas, mas operar de forma paralela como mecanismo político de coordenação liderado por Washington.
Mesmo diante das divergências, a criação do Conselho de Paz sinaliza uma tentativa de romper o ciclo recorrente de conflitos em Gaza, vinculando reconstrução econômica a condições claras de segurança. O encontro desta quinta-feira é visto pela Casa Branca como mais um passo em direção a uma arquitetura regional de estabilidade, ainda que os resultados concretos dependam da disposição dos participantes em enfrentar o ponto mais sensível do processo: a retirada do poder militar do Hamas e a construção de um ambiente institucional que permita reconstrução duradoura.




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