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Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia da União

Decisão reforça crise estrutural da estatal, que acumula prejuízos bilionários e se mantém artificialmente de pé às custas do contribuinte



O conselho de administração dos Correios aprovou neste sábado (29) a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, em uma tentativa de reforçar o caixa e financiar a reestruturação da estatal. A medida ocorre em meio ao agravamento dos resultados financeiros da empresa e da crescente pressão sobre as contas públicas — pressão essa provocada justamente pela incapacidade crônica dos Correios de operar de forma eficiente.


A proposta escolhida foi apresentada por um consórcio formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra. O financiamento terá garantia integral do Tesouro Nacional: se os Correios não pagarem, a União — e, portanto, o contribuinte — assume a conta. A taxa de juros ficou pouco abaixo da rodada anterior, que chegava a 136% do CDI, mas o custo permanece próximo desse patamar extraordinariamente elevado para uma estatal desse porte.


Uma empresa quebrada sendo mantida por aparelhos


O empréstimo bilionário não pode ser dissociado da trajetória recente dos Correios. A estatal vive uma espiral de deterioração administrativa, operacional e financeira. Nos últimos anos, acumulou:


  • Déficit de R$ 767 milhões em 2022

  • Déficit de R$ 596 milhões em 2023

  • Rombo de R$ 2,6 bilhões em 2024

  • Prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro de 2025

Em condições normais de mercado, uma empresa nessa situação enfrentaria reestruturação profunda ou encerramento das atividades. Mas, por ser estatal, a ECT é tratada como um organismo político — não como uma companhia que deveria responder à lógica econômica.


O resultado é previsível: custos administrativos fora de controle, provisões trabalhistas gigantescas, processos logísticos obsoletos, participação declinante no setor de encomendas e uma estrutura rígida incapaz de se adaptar. A estatal perdeu espaço no mercado justamente onde deveria crescer — o setor de entregas — enquanto não consegue reduzir sua pesada máquina interna.


Além disso, os passivos de benefícios pós-emprego, revelados pela adoção do CPC 33, resultaram em provisões de bilhões de reais, pressionando ainda mais os balanços e mostrando como os Correios se tornaram um símbolo do patrimonialismo estatal: uma empresa que serve como instrumento de decisões políticas e corporativistas, não como prestadora eficiente de serviços.


O empréstimo: solução ou agravamento do problema?


O pedido de R$ 20 bilhões equivale, segundo estimativas de mercado, ao próprio valor da estatal. Em outras palavras, o governo está tomando emprestado — e garantindo com recursos do contribuinte — um montante semelhante ao que poderia receber caso optasse por privatizar os Correios. Ou seja, em vez de obter receita com a venda da empresa, o Estado decide assumir uma dívida de valor equivalente.

Trata-se de uma lógica reversa:


  • Em vez de cortar custos e modernizar, recorre-se à dívida.

  • Em vez de exigir eficiência, transfere-se o risco para o Tesouro.

  • Em vez de liberar o contribuinte, transforma-se a sociedade em garantidora perpétua de uma máquina deficitária.

Esse movimento não corrige a raiz do problema. É apenas um fôlego artificial que posterga o inevitável: o modelo estatal não funciona.


Privatização é a única saída racional


Qualquer solução que não envolva a privatização dos Correios será meramente paliativa. Sem disciplina de mercado, sem concorrência real, sem responsabilização, a empresa seguirá drenando recursos públicos, sustentada por empréstimos cada vez maiores — sempre lastreados pelo Tesouro.


Privatizar significaria:

  • Introduzir mecanismos de eficiência e inovação

  • Reduzir custos operacionais

  • Modernizar processos logísticos

  • Liberar o contribuinte da obrigação de financiar um modelo falido

  • Estimular concorrência saudável no setor de entregas

Enquanto isso não ocorre, o país continuará arcando com o ônus político e fiscal de manter uma estatal incapaz de competir e cada vez mais dependente da máquina pública.

O desfecho inevitável

O novo empréstimo de R$ 20 bilhões não representa reestruturação, mas subvenção disfarçada. Uma transferência bilionária de responsabilidade do setor produtivo para o Estado — ou seja, para quem paga impostos.


Os Correios não podem arcar com mais dívidas. A única saída é a liberdade para serem eficientes, algo impossível sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


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Carlos Dias.

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