Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia da União
- Núcleo de Notícias

- 29 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Decisão reforça crise estrutural da estatal, que acumula prejuízos bilionários e se mantém artificialmente de pé às custas do contribuinte

O conselho de administração dos Correios aprovou neste sábado (29) a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, em uma tentativa de reforçar o caixa e financiar a reestruturação da estatal. A medida ocorre em meio ao agravamento dos resultados financeiros da empresa e da crescente pressão sobre as contas públicas — pressão essa provocada justamente pela incapacidade crônica dos Correios de operar de forma eficiente.
A proposta escolhida foi apresentada por um consórcio formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra. O financiamento terá garantia integral do Tesouro Nacional: se os Correios não pagarem, a União — e, portanto, o contribuinte — assume a conta. A taxa de juros ficou pouco abaixo da rodada anterior, que chegava a 136% do CDI, mas o custo permanece próximo desse patamar extraordinariamente elevado para uma estatal desse porte.
Uma empresa quebrada sendo mantida por aparelhos
O empréstimo bilionário não pode ser dissociado da trajetória recente dos Correios. A estatal vive uma espiral de deterioração administrativa, operacional e financeira. Nos últimos anos, acumulou:
Déficit de R$ 767 milhões em 2022
Déficit de R$ 596 milhões em 2023
Rombo de R$ 2,6 bilhões em 2024
Prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro de 2025
Em condições normais de mercado, uma empresa nessa situação enfrentaria reestruturação profunda ou encerramento das atividades. Mas, por ser estatal, a ECT é tratada como um organismo político — não como uma companhia que deveria responder à lógica econômica.
O resultado é previsível: custos administrativos fora de controle, provisões trabalhistas gigantescas, processos logísticos obsoletos, participação declinante no setor de encomendas e uma estrutura rígida incapaz de se adaptar. A estatal perdeu espaço no mercado justamente onde deveria crescer — o setor de entregas — enquanto não consegue reduzir sua pesada máquina interna.
Além disso, os passivos de benefícios pós-emprego, revelados pela adoção do CPC 33, resultaram em provisões de bilhões de reais, pressionando ainda mais os balanços e mostrando como os Correios se tornaram um símbolo do patrimonialismo estatal: uma empresa que serve como instrumento de decisões políticas e corporativistas, não como prestadora eficiente de serviços.
O empréstimo: solução ou agravamento do problema?
O pedido de R$ 20 bilhões equivale, segundo estimativas de mercado, ao próprio valor da estatal. Em outras palavras, o governo está tomando emprestado — e garantindo com recursos do contribuinte — um montante semelhante ao que poderia receber caso optasse por privatizar os Correios. Ou seja, em vez de obter receita com a venda da empresa, o Estado decide assumir uma dívida de valor equivalente.
Trata-se de uma lógica reversa:
Em vez de cortar custos e modernizar, recorre-se à dívida.
Em vez de exigir eficiência, transfere-se o risco para o Tesouro.
Em vez de liberar o contribuinte, transforma-se a sociedade em garantidora perpétua de uma máquina deficitária.
Esse movimento não corrige a raiz do problema. É apenas um fôlego artificial que posterga o inevitável: o modelo estatal não funciona.
Privatização é a única saída racional
Qualquer solução que não envolva a privatização dos Correios será meramente paliativa. Sem disciplina de mercado, sem concorrência real, sem responsabilização, a empresa seguirá drenando recursos públicos, sustentada por empréstimos cada vez maiores — sempre lastreados pelo Tesouro.
Privatizar significaria:
Introduzir mecanismos de eficiência e inovação
Reduzir custos operacionais
Modernizar processos logísticos
Liberar o contribuinte da obrigação de financiar um modelo falido
Estimular concorrência saudável no setor de entregas
Enquanto isso não ocorre, o país continuará arcando com o ônus político e fiscal de manter uma estatal incapaz de competir e cada vez mais dependente da máquina pública.
O desfecho inevitável
O novo empréstimo de R$ 20 bilhões não representa reestruturação, mas subvenção disfarçada. Uma transferência bilionária de responsabilidade do setor produtivo para o Estado — ou seja, para quem paga impostos.
Os Correios não podem arcar com mais dívidas. A única saída é a liberdade para serem eficientes, algo impossível sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Carlos Dias.
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