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Dependência energética do Oriente Médio mantém China vulnerável a choques no petróleo

Petróleo iraniano respondeu por cerca de 12% das importações chinesas no último ano



A economia chinesa permanece fortemente exposta a interrupções no fornecimento de energia provenientes do Oriente Médio, cenário que ganha relevância diante da recente escalada de tensões geopolíticas na região após as ofensivas dos Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano.


O país depende amplamente de petróleo importado para sustentar sua atividade econômica. Estima-se que cerca de 75% da demanda chinesa por petróleo bruto seja atendida por importações, e aproximadamente 90% desse volume chega por meio de rotas marítimas. Uma parcela expressiva desses carregamentos parte de produtores localizados no Golfo, entre eles Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar.


A exposição energética torna-se ainda mais significativa quando se considera o petróleo proveniente do Irã. Estimativas indicam que o petróleo iraniano respondeu por cerca de 12% das importações chinesas no último ano, ampliando a dependência de Pequim em relação a fornecedores situados em regiões geopoliticamente sensíveis.


Outro fator de risco é a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o abastecimento energético da China. Mais de 35% do petróleo consumido pelo país atravessa essa hidrovia, considerada uma das rotas marítimas mais importantes do comércio global de energia. A rota encontra-se praticamente fechada, mesmo com a iniciativa do governo Trump de fornecer seguro e escolta militar para navios-tanque.


Além do petróleo, a China também apresenta vulnerabilidade no mercado de gás natural. O país é atualmente o maior importador mundial de gás natural liquefeito, e cerca de 30% dessas importações estão associadas a embarques que passam pelo Estreito de Ormuz, incluindo grandes volumes exportados pelo Catar.


Caso os preços do petróleo se mantenham próximos de US$ 100 por barril ao longo de 2026, a inflação chinesa poderá registrar aumento relevante. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico deve sofrer desaceleração, reflexo do encarecimento dos custos de produção e da possível retração do consumo diante de energia mais cara.



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