EBC firma parceria com grupo estatal chinês e amplia alinhamento com regime do Partido Comunista
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- há 1 dia
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Acordo com conglomerado de mídia ligado ao governo chinês levanta preocupações sobre influência estrangeira e uso político da comunicação pública

A Empresa Brasil de Comunicação formalizou nesta semana um acordo de cooperação com o China Media Group (CMG), conglomerado estatal diretamente vinculado ao aparato de comunicação do Partido Comunista Chinês. A iniciativa, apresentada como um avanço na área de comunicação, amplia a aproximação entre o governo brasileiro e estruturas midiáticas controladas por um regime conhecido pela forte censura e controle sobre a informação.
O documento foi assinado pelo presidente da EBC, Andre Basbaum, ao lado de Shen Haixiong, figura ligada ao sistema de propaganda estatal chinês. O CMG reúne veículos como a China Central Television, a China National Radio e a China Radio International, todos subordinados à linha oficial do regime comunista chinês.
O acordo prevê o envio de um jornalista da Agência Brasil para atuar como correspondente no território chinês, além da cessão de conteúdos produzidos pelo regime, incluindo animações e materiais audiovisuais. Também está prevista a utilização de ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas no ambiente estatal chinês, o que amplia o grau de dependência tecnológica e editorial da comunicação pública brasileira em relação a um governo estrangeiro.
A iniciativa ocorre em meio a uma agenda mais ampla de aproximação política e institucional. Durante visita recente à China, o presidente da EBC buscou expandir parcerias no setor e participou de encontros com autoridades locais. Entre eles, esteve com Dilma Rousseff, atual dirigente do Novo Banco de Desenvolvimento, o "Banco do BRICS".
A agenda também incluiu reuniões com Cao Shumin, responsável pela administração estatal de rádio e televisão, onde foram discutidos projetos como a implementação da chamada TV 3.0 no Brasil. A delegação ainda visitou a agência estatal Xinhua, outro braço relevante da comunicação controlada pelo regime.
Ao estabelecer parcerias com estruturas diretamente subordinadas a um regime autoritário, o governo Lula submete o Brasil à influência da China sobre a produção de conteúdo e sobre a narrativa institucional.
O movimento sinaliza uma orientação que aproxima o sistema público de comunicação de modelos marcados pelo absoluto controle estatal. Em um cenário já pressionado por disputas ideológicas e falta de transparência, a decisão tende a intensificar preocupações sobre o uso da máquina pública para fins que desviam-se do interesse da sociedade.




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