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El Niño pode adicionar até 0,4 ponto ao IPCA e economistas alertam que impacto ainda não está totalmente incorporado nas previsões

BTG eleva projeção de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5% e alerta para "super El Niño"; Citi projeta alta de 1,47 ponto nos alimentos nos dois meses seguintes ao choque



Economistas brasileiros esperam que o El Niño tenha impacto significativo sobre a inflação em 2026 e 2027, com efeitos ainda não totalmente incorporados às suas previsões, segundo enquete do Banco Central divulgada nesta semana. A estimativa mediana de quase 100 economistas consultados aponta para impacto de 0,3 ponto percentual no IPCA em 2026 e de 0,4 ponto em 2027, fenômeno que deve se intensificar no segundo semestre deste ano.


Os entrevistados afirmaram já ter incorporado cerca de dois terços do impacto estimado nas previsões para 2026, mas apenas metade para 2027, o que sugere que as projeções de inflação para o próximo ano ainda têm espaço para ser revisadas para cima à medida que o fenômeno climático se desenvolve. A mesma pesquisa mostrou que o IPCA deve fechar 2026 em 5,2% e 2027 em 4,2%, ambos bem acima da meta de 3%.


O BTG Pactual foi além e alertou que um "super El Niño" está se formando, elevando sua projeção de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%. "Parte do choque pode ser transmitida para 2028 por meio da inércia e das expectativas. A magnitude dessa transmissão depende da credibilidade do banco central e da reação de curto prazo: quanto mais tempo o ciclo de flexibilização dos juros se prolongar, maior será o risco de desancoragem", alertaram os analistas do banco. O aviso é direto: cada corte de Selic num ambiente de El Niño intenso amplia o risco de que as expectativas de inflação se descolem ainda mais da meta.


O Citi detalhou os mecanismos do choque. Analistas apontam que os preços dos alimentos sofrerão o maior impacto, com o El Niño tendendo a causar secas no Nordeste e afetar culturas como café, açúcar e frutas cítricas. Durante o forte El Niño de 2015-2016, o Brasil foi afetado por aceleração da inflação de alimentos que deve se repetir, com alta estimada de 1,47 ponto percentual nos dois meses seguintes ao choque.


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia alertado em maio que um El Niño forte se somaria aos choques de oferta ligados ao petróleo elevado pelo conflito no Oriente Médio, complicando os esforços de contenção da inflação num mercado de trabalho restrito. O desafio descrito por Galípolo é clássico na teoria monetária: separar choques temporários de oferta, que em princípio não exigem reação de política monetária, dos efeitos de segunda ordem sobre expectativas e inércia inflacionária, que exigem.



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