Endividamento das famílias brasileiras bate recorde histórico de 49,9% da renda em fevereiro
- Núcleo de Notícias

- 27 de abr.
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Maior nível desde o início da série do Banco Central em 2005; comprometimento da renda chega a 29,7% e famílias destinam 10,63% da renda apenas ao pagamento de juros

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda disponível acumulada nos últimos 12 meses em fevereiro, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central em janeiro de 2005. Os dados constam no Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado nesta segunda-feira (27) e compõem um retrato de famílias cada vez mais pressionadas por dívidas num ambiente de juros elevados e inflação persistente.
Excluindo os financiamentos imobiliários, o endividamento chegou a 31,4% em fevereiro, alta de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. O comprometimento da renda das pessoas físicas, que mede quanto da renda mensal vai para o pagamento das dívidas, avançou para 29,7%, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,9 ponto percentual em 12 meses. Sem considerar os financiamentos imobiliários, o comprometimento passou de 27,2% em janeiro para 27,4% em fevereiro, também no maior nível da série histórica.
O dado mais revelador do relatório é a decomposição do comprometimento da renda: 10,63% da renda das famílias vai exclusivamente para o pagamento de juros, com outros cerca de 19% destinados à amortização do principal. Numa família que ganha R$ 5 mil mensais, isso significa que mais de R$ 530 por mês são consumidos apenas pelos juros das dívidas, sem reduzir um centavo do saldo devedor.
O recorde de endividamento em fevereiro precede o choque adicional da guerra no Oriente Médio, que elevou combustíveis, fretes e alimentos ao longo de março e abril. O IPCA de março já havia mostrado alta de 0,88%, acima das expectativas, e a cesta básica subiu em todas as 27 capitais no período.




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