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Entenda o que aconteceu no voo da Flydubai em que passageiros israelenses impediram uma tragédia

há 1 dia
4 min de leitura

Copiloto esfaqueou o comandante e, segundo o governo de Israel, tentou derrubar a aeronave; passageiros invadiram a cabine, dominaram o agressor e foram recebidos por Benjamin Netanyahu em Tel Aviv



Faltava pouco para o pouso em Tel Aviv quando a rotina de um voo comercial vindo de Dubai deu lugar ao pânico. Na manhã desta quarta-feira (30), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou que um dos pilotos de uma aeronave da Flydubai esfaqueou o colega de cabine e tentou provocar a queda do avião com todos os ocupantes. O caso, investigado como provável atentado terrorista, obrigou a tripulação a mudar a rota em direção à Arábia Saudita. A companhia confirmou que o voo FZ1073 enfrentou uma ocorrência durante o trajeto e que a aeronave tocou o solo sem danos no aeroporto de Tabuk.


A composição do voo ajuda a dimensionar o que estava em jogo. Segundo o próprio premiê Benjamin Netanyahu, praticamente todos os passageiros eram israelenses, e autoridades do país calculam que havia entre 160 e 180 pessoas a bordo. Quem estava na cabine de passageiros relatou a uma emissora israelense que primeiro vieram os gritos, depois a notícia de que um dos pilotos estava gravemente ferido, e em seguida o avião passou a perder altitude rapidamente. Pelos registros públicos de rastreamento, a aeronave disparou um alerta de emergência e, minutos mais tarde, o código 7500, usado internacionalmente para indicar suspeita de sequestro.


O desfecho só foi diferente graças a uma sequência de gestos de coragem. O comandante, mesmo com ferimentos graves, reuniu forças para destravar a porta da cabine de comando, abrindo passagem para que passageiros e tripulantes chegassem até o agressor. O passageiro Tzvika Manes contou que um tripulante entrou na cabine e retirou o copiloto de lá, momento em que ele e mais dois israelenses se lançaram sobre o homem e o amarraram com os fones de ouvido da companhia. Pelos relatos colhidos até agora, o copiloto ainda mexia nos equipamentos do avião, na tentativa de inutilizá-los, quando foi finalmente contido.


Com a situação sob controle, a Flydubai informou que outros tripulantes que viajavam a bordo assumiram o comando da aeronave. Depois do pouso, a empresa garantiu que ninguém entre passageiros e tripulação ficou sem ser localizado e que todos estavam a salvo, enquanto a administração do aeroporto informou que os dois pilotos receberam atendimento hospitalar. A companhia ainda deslocou duas aeronaves reservas até Tabuk, e os viajantes seguiram para Israel em outro avião.


O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi ao Aeroporto Ben Gurion receber Yaniv Hayun, passageiro que participou da contenção do agressor, e o saudou como herói. Ainda com a camisa manchada de sangue, Yaniv Hayun narrou passo a passo a luta travada dentro da cabine, e o chefe de governo o abraçou longamente diante das câmeras. Durante a conversa, Yaniv Hayun contou que aplicou um mata-leão no agressor, arrastou-o para fora da cabine e depois voltou para segurar os comandos do avião.


O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o passageiro Yaniv Hayun
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o passageiro Yaniv Hayun

O reconhecimento não se limitou aos israelenses. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu identificou o comandante esfaqueado como Smit Machchhar, cidadão da Índia, e o descreveu como um verdadeiro herói que, com bravura fora do comum, salvou a vida de 174 pessoas. O premiê também afirmou que determinou aos serviços de segurança que se preparassem para eventuais novas ameaças.


No governo israelense, a leitura sobre a motivação foi direta. Antes de qualquer outra autoridade de peso, Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, vieram a público apontar um propósito deliberado por trás da agressão, e Israel Katz não hesitou em enquadrar o episódio como uma tentativa de atentado de inspiração jihadista. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, chamou o investigado de terrorista e afirmou que ele pretendia derrubar o avião para matar os israelenses a bordo. Duas autoridades de Israel disseram que a avaliação atual descarta um surto psicológico e aponta para uma ação premeditada. Ainda segundo o premiê Benjamin Netanyahu, o copiloto está sob custódia e responde a interrogatório conduzido por investigadores sauditas.


A apuração agora se volta para o histórico do suspeito e para as falhas que permitiram a sua presença naquele voo. De acordo com o jornal Israel Hayom, o copiloto, natural de Omã, trabalhava para a companhia havia cerca de nove meses, e os investigadores querem saber como ele recebeu autorização para operar uma rota com destino a Israel. O ponto é sensível porque o acordo que autoriza a Flydubai a voar para Israel exige que seus pilotos tenham passaporte de países com relações diplomáticas com o Estado israelense, e Omã não mantém esse vínculo. Diante disso, a ministra dos Transportes, Miri Regev, pediu ao Shin Bet que suspenda os voos da empresa de e para Israel, enquanto Mossad, Shin Bet, Forças de Defesa de Israel e Ministério dos Transportes abriram uma investigação conjunta.


Do lado da companhia aérea, a postura é de cautela. A Flydubai afirma que as razões e os motivos do episódio ainda são desconhecidos e dependem de investigação formal, e até o momento não divulgou a identidade nem a nacionalidade dos pilotos. Enquanto os detalhes técnicos não chegam, o que fica do dia é a imagem de um comandante que, sangrando, destrancou a porta da cabine, e de passageiros comuns que decidiram agir quando a alternativa era assistir à própria morte.



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