EUA confirmam tarifas ao Brasil: Lula "colocou seu ego acima do bem-estar do povo brasileiro"
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Tarifa de 25% entra em vigor em 22 de julho sobre mais de 4 mil produtos

O governo Trump oficializou na noite de quarta-feira (15) a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. A confirmação foi feita pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que informou que a lista completa dos produtos atingidos será publicada no Federal Register. Na madrugada desta quinta-feira (16), o secretário de Estado Marco Rubio foi direto ao apontar o responsável: "O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé."
"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", escreveu o secretário Marco Rubio no X. A declaração do segundo nome mais importante da diplomacia americana resume em poucas palavras o resultado de meses de deterioração da relação bilateral: ataques públicos de Lula ao secretário Marco Rubio, a quem chamou de "inimigo mortal" e "latino-americano frustrado"; planos de emissão de panda bonds em yuan como aceno à China; recusa sistemática de cooperar com Washington no combate ao crime organizado; e ausência de propostas concretas ao USTR até a última semana.
A investigação da United States Trade Representave (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio identificou uma série de práticas brasileiras consideradas desleais. O Pix foi caracterizado como um "campeão nacional" que "promove condições desleais de competição no comércio eletrônico." O órgão cobrou que empresas americanas tenham acesso aos mesmos regimes tarifários preferenciais que o Brasil concede a países como México e Índia. Sobre desmatamento, Jamieson Greer reconheceu a existência de legislação brasileira mas apontou falhas na aplicação. Em relação ao etanol, disse que o mercado brasileiro permanece fechado ao produto americano.
As exceções da tarifa representam um alívio estratégico para parte relevante do agronegócio. Ficam fora da taxação café, carne bovina, carne de frango, laranja, suco de laranja, petróleo, gás e peças e componentes aeroespaciais. Os Estados Unidos dependem das importações de carne bovina brasileira para complementar a oferta da indústria de processamento, e o café brasileiro responde por cerca de 17% das exportações do produto ao mercado americano de janeiro a junho deste ano, segundo o Cecafé, sem substitutos disponíveis em volume e qualidade no curto prazo.
Do lado brasileiro, o ministro da Fazenda Dario Durigan sinalizou retaliação antes mesmo da confirmação oficial. "Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", disse o ministro, referindo-se à Lei da Reciprocidade Econômica. Jamieson Greer respondeu diretamente ao aviso: "Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações", acrescentando que Washington está aberta ao diálogo. "A porta certamente está aberta. Não é segredo o que queremos."
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda havia divulgado avaliação de que o impacto das tarifas sobre a economia brasileira seria reduzido. A avaliação, porém, não levou em conta que as exportações brasileiras aos EUA já haviam caído ao menor nível em 30 anos antes mesmo desta nova rodada, com a participação americana nas vendas externas recuando de 12,4% para 9,3% após o primeiro tarifaço de 2025.
O contraste com a postura da oposição é gritante. O senador Flávio Bolsonaro participou pessoalmente da audiência pública do USTR na semana passada, discursou em inglês, entregou documento de 86 páginas com compromissos concretos e pediu adiamento de 180 dias da decisão, argumentando que tarifas às vésperas das eleições de outubro beneficiariam politicamente o governo Lula. O governo brasileiro, por sua vez, só protocolou sua manifestação formal ao USTR na última semana, após meses de retórica anti-americana que Washington interpretou como falta de boa-fé. O secretário Marco Rubio não deixou margem para dúvida sobre essa leitura.




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