Fechamento do Estreito de Ormuz pode tirar quase 3 pontos do crescimento global no segundo trimestre
- Núcleo de Notícias

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Projeções do Federal Reserve Bank de Dallas apontam impactos severos sobre o preço do petróleo e a atividade econômica mundial caso a passagem permaneça bloqueada

O conflito envolvendo o Irã já começa a deixar marcas concretas na economia global, e os números projetados pelo Federal Reserve Bank de Dallas dão a dimensão do que está em jogo. Segundo pesquisadores do banco regional, um fechamento do Estreito de Ormuz que se prolongue até junho seria suficiente para reduzir o crescimento econômico mundial em 2,9 pontos percentuais anualizados no segundo trimestre, um impacto expressivo para uma única rota marítima.
O Estreito de Ormuz é o ponto de passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo, e sua interrupção pelo avanço da guerra já fez o preço do barril do tipo West Texas Intermediate ultrapassar US$ 97. Os modelos elaborados pelo banco americano simulam diferentes cenários conforme a duração do bloqueio. Se a rota for reaberta após um trimestre, a expectativa é de recuperação: o barril recuaria para US$ 68 no período de julho a setembro, e o crescimento do PIB global ganharia 2,2 pontos percentuais no mesmo intervalo.
O quadro se agrava consideravelmente nos cenários mais longos. Um fechamento de dois trimestres faria o petróleo WTI saltar para US$ 115 no terceiro trimestre, com algum alívio apenas no fim do ano, quando o barril voltaria à casa dos US$ 76. Já um bloqueio que se estendesse por três trimestres poderia empurrar o preço até US$ 132 até dezembro, tornando o impacto sobre a inflação e o consumo ainda mais difícil de conter.
Os efeitos já são sentidos no dia a dia da população americana. O preço médio do galão de diesel nos Estados Unidos ultrapassou US$ 5 pela segunda vez na história, pressionando praticamente todos os setores da economia, já que o combustível movimenta cadeias inteiras de produção e distribuição. Com a gasolina mais cara, os consumidores estão revendo hábitos: viagens são cortadas, e não são poucos os que enfrentam filas nos postos em busca de economizar alguns centavos no abastecimento. O resultado é uma compressão do consumo em outras categorias, à medida que uma fatia maior da renda vai direto para o tanque.
O Irã, regime que financia grupos terroristas na região e tem papel central na instabilidade que afeta o Estreito, coloca com sua postura beligerante em risco não apenas a segurança do Oriente Médio, mas a estabilidade econômica de países que sequer fazem fronteira com o conflito. O custo dessa equação, como mostram as projeções, é global.




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