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Flávio Bolsonaro discursa em inglês no USTR e pede adiamento das tarifas

Senador cita eleições de outubro a 90 dias, defende o Pix como criação do governo Jair Bolsonaro e acusa Lula de usar eventual tarifaço como vitória política interna



O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou nesta terça-feira (7) da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, discursando em inglês ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos Estados Unidos após ser condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão.


O argumento central foi estratégico: segundo o senador, com as eleições presidenciais brasileiras a 90 dias, impor tarifas agora recompensaria o governo Lula, que poderia transformar a medida em vitória política interna. "O cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, que seria difícil de reverter", disse Flávio. "Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna", escreveu o senador no documento de 86 páginas enviado previamente ao USTR.


Flávio Bolsonaro também defendeu o Pix, um dos temas da investigação americana, reposicionando o sistema de pagamentos como criação do governo Jair Bolsonaro e argumento favorável, não contrário, aos interesses americanos. "O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro foi criado durante o governo Bolsonaro. Este não é o problema a ser resolvido, mas sim a solução. Ele expandiu a inclusão financeira, trazendo milhões de brasileiros para um sistema econômico que nos permitiu beneficiar diretamente empresas americanas", disse o senador, acrescentando que o Pix "não concorre com instituições americanas de pagamento."


O parlamentar também criticou o governo Lula diretamente diante dos representantes americanos, citando a corrupção como um dos maiores problemas brasileiros e mencionando o escândalo do INSS: "A fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados", afirmou.


A audiência integra a etapa final da consulta pública da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A investigação fundamenta a proposta de tarifa de 25% e analisa comércio digital, pagamentos eletrônicos, acordos comerciais, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento, anticorrupção e proteção da propriedade intelectual. O USTR prevê exceções para produtos estratégicos como carne bovina, café, frutas, petróleo e minérios metálicos.


A presença de Flávio Bolsonaro no USTR, discursando em inglês num processo formal de consulta americana sobre política comercial com o Brasil, é mais uma demonstração do papel que o senador construiu como principal interlocutor entre o Brasil e a administração Trump.



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