Flávio Bolsonaro promete a maior regularização fundiária da história do Pará e o fim de entraves ambientais “ideológicos”
Em ato em Marabá, candidato do PL diz que o produtor poderá plantar, criar gado e explorar a própria terra

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, prometeu um programa de regularização fundiária e o fim de restrições ambientais que, segundo ele, teriam motivação ideológica. A declaração foi dada durante uma motociata em Marabá, no sudeste do Pará. “Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. A sua terra vai ser sua no papel”, disse. O senador afirmou ter ouvido pedidos semelhantes em diferentes cidades paraenses, entre elas Marabá e Altamira.
No discurso, Flávio Bolsonaro defendeu que os donos de terra decidam por conta própria o uso das áreas que possuem. “Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem, ambientais, por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar”, afirmou. Ele também assumiu compromissos com a conclusão de duas pontes e o asfaltamento de rodovias federais na região, além de defender penas mais duras para crimes como roubo. A promessa dialoga com a que fez à bancada ruralista, em Brasília, de superar os 420 mil títulos rurais entregues no governo de Jair Bolsonaro.
O tema tem peso especial no Pará. O sudeste do estado reúne terras indígenas, unidades de conservação e áreas sob domínio da União, e é marcado por um longo histórico de conflitos agrários, de modo que a insegurança sobre a posse da terra é um dos principais obstáculos à produção e ao investimento. Sem título definitivo, o produtor tem dificuldade para obter crédito, financiar a atividade e proteger o que construiu, e a burocracia federal, somada à sobreposição de áreas protegidas e fundiárias, alonga processos por anos.
A discussão é o tema central do livro “As raízes do subdesenvolvimento econômico do Brasil: o entrave à exploração dos recursos naturais”, de Carlos Dias, presidente do Instituto Democracia e Liberdade (IDL) e CEO do Rumo News.
A obra parte de uma pergunta incômoda: por que um país tão rico em recursos naturais continua preso ao subdesenvolvimento? Ao procurar a resposta, o autor vai além dos números e recua às origens históricas, políticas e econômicas da estagnação brasileira, para sustentar que o excesso de burocracia, a influência de interesses ideológicos e modelos equivocados de gestão dos recursos naturais travam o progresso do país.
No mesmo dia, o candidato seguiu de Marabá para Manaus, onde participou de ato com apoiadores à noite, enquanto o presidente Lula cumpria agenda no Rio Grande do Sul. A uma semana da votação, as pesquisas mostram o senador numericamente à frente, e a regularização fundiária entra no pacote de propostas voltado ao agronegócio e ao produtor rural, setor que a candidatura trata como prioritário.






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