Gasolina ultrapassa US$ 4 o galão nos EUA; Trump cobra aliados a "lutarem por si mesmos" no Estreito de Ormuz
- Núcleo de Notícias

- há 1 dia
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Preços disparam em todo o país e chegam a US$ 5,87 na Califórnia; presidente americano provoca o Reino Unido e diz que EUA não estarão mais disponíveis para ajudar quem se recusou a participar do conflito

A guerra no Irã chegou ao posto de gasolina americano. O preço médio do galão nos Estados Unidos ultrapassou US$ 4 pela primeira vez desde 2022, atingindo US$ 4,02 nesta terça-feira segundo levantamento da associação de automobilistas AAA, alta de mais de US$ 1 em relação a um mês atrás, período que coincide praticamente com o início da Operação Epic Fury em 28 de fevereiro. O avanço é generalizado: praticamente todas as regiões do país registram escalada nos preços, com estados da Costa Oeste liderando os custos mais altos. Na Califórnia, o galão chegou a US$ 5,87 no domingo, e em Washington o preço alcançou US$ 5,32. Na Costa Leste, Washington D.C. já opera a US$ 4,16 e Nova York se aproxima de US$ 4 o galão.
O impacto nos combustíveis é o reflexo mais visível e imediato que a guerra no Oriente Médio produz na vida cotidiana do americano médio, e o presidente Donald Trump escolheu o momento para cobrar publicamente dos aliados uma postura mais ativa na resolução do bloqueio do Estreito de Ormuz. Em postagem no Truth Social, o presidente americano foi direto ao provocar especificamente o Reino Unido, que se recusou a participar das operações militares contra o Irã. "Todos aqueles países que não conseguem obter combustível por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a participar da decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês: número 1, comprem dos EUA, temos bastante, e número 2, juntem coragem atrasada, vão ao Estreito e simplesmente TOMEM", escreveu o chefe da Casa Branca.
O presidente foi além na provocação e sinalizou uma mudança de postura americana em relação ao compromisso de defesa coletiva. "Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nós. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil está feita. Vão buscar seu próprio petróleo!", acrescentou o presidente Donald Trump. A declaração, característica do estilo direto do presidente americano, carrega uma mensagem estratégica relevante: Washington está sinalizando que o ônus de reabertura do Estreito não será carregado indefinidamente pelos Estados Unidos enquanto aliados europeus se beneficiam da operação sem contribuir para ela.
A postura do presidente Donald Trump reflete a frustração acumulada com a resposta da OTAN ao conflito, que o próprio presidente havia classificado como a de "covardes" na semana anterior. Com 22 países assinando uma declaração de disposição a contribuir para a segurança da navegação no Estreito, mas poucos efetivamente engajados em ações concretas, o presidente americano usa o argumento do custo do combustível para pressionar aliados a assumirem parte do risco militar. O recado é claro: os EUA fizeram a parte mais difícil, o regime iraniano está militarmente destruído, e quem quiser petróleo terá que aparecer na hora de garantir que ele flua.




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