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Governo americano diz que Brasil "falhou em confrontar" PCC e Comando Vermelho e virou polo das rotas globais de cocaína

há 9 horas
2 min de leitura

Determinação presidencial sobre países de trânsito e produção de drogas para 2027 classifica as duas facções como "ameaça crescente à paz e segurança" mundial



O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Brasil ao afirmar que o país se tornou um polo das rotas globais de cocaína em razão da atuação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho. A avaliação consta da determinação presidencial sobre os principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027, divulgada nesta quarta-feira (16) pelo porta-voz do Departamento de Estado.


No documento, o governo americano afirma que o Brasil "falhou em confrontar" as duas organizações, já classificadas por Washington como organizações terroristas estrangeiras desde junho, e alerta que elas representam ameaça crescente à segurança internacional.


"Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente adotar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que se expandam ainda mais", afirma o texto.


O documento também classificou Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia como países que "falharam de forma demonstrável" em cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico nos últimos 12 meses.


O texto também pressiona México e Canadá a ampliarem seus esforços de contenção do fluxo de drogas para os Estados Unidos. Em relação ao México, o governo americano reconheceu apreensões de drogas, desmantelamento de laboratórios clandestinos e cooperação na captura de líderes de cartéis, mas afirmou que o país ainda precisa intensificar o combate às organizações criminosas que controlam partes de seu território. A China, por sua vez, é apontada como a maior produtora mundial de diversos precursores químicos usados na fabricação de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas — Washington reconhece avanços recentes na cooperação bilateral, mas cobra medidas mais rígidas de Pequim para bloquear a exportação dessas substâncias.


O governo americano também destacou avanços na cooperação com Venezuela, Bolívia e Colômbia, e elogiou nominalmente os governos de Argentina, Equador e El Salvador por seu combate ao narcotráfico e ao crime organizado.


A avaliação sobre o Brasil surge num momento de atenção internacional crescente ao papel do PCC e do Comando Vermelho nas cadeias globais de tráfico de cocaína, especialmente nas rotas que conectam a América do Sul à Europa e à África. Na leitura do governo americano, o fortalecimento dessas facções ampliou a relevância do Brasil nas redes internacionais do narcotráfico, motivando a cobrança por resposta mais contundente das autoridades brasileiras — pressão que ecoa diretamente as críticas já feitas por autoridades americanas ao governo Lula ao longo dos últimos meses, incluindo a insistência do próprio presidente em relativizar, perante o governo Trump, a classificação das facções como organizações terroristas.



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