Governo Lula projeta estatais no vermelho até 2030 com déficit crescendo para R$ 7,55 bilhões em 2027
- Núcleo de Notícias

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PLDO 2027 revela trajetória de rombos sem perspectiva de reversão na década; 1º bimestre de 2025 já registrou pior resultado desde 2002 e Correios são principal vetor de deterioração

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva projeta que as estatais federais seguirão acumulando déficits pelo menos até 2030, sem qualquer perspectiva de reversão do quadro no horizonte do planejamento orçamentário. Os dados constam no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso, e compõem um retrato de empresas públicas cronicamente deficitárias cujo custo para o Tesouro cresce a cada ano.
Para 2026, o governo estima um déficit das estatais de R$ 6,75 bilhões, aumento em relação ao rombo de R$ 5,13 bilhões registrado em 2024, que já havia sido o segundo pior resultado da série histórica. Em 2027, a projeção piora para R$ 7,55 bilhões. Nos anos seguintes, a equipe econômica projeta rombos de R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5,04 bilhões em 2029 e R$ 5,71 bilhões em 2030. A sequência de déficits sem um único ano de superávit projetado até o fim da década revela que o governo não tem, ou não apresentou, nenhum plano crível de recuperação financeira das empresas públicas sob seu controle.
O quadro já em curso é ainda mais preocupante do que as projeções futuras sugerem. No primeiro bimestre de 2025, o resultado das estatais ficou em R$ 4,1 bilhões negativos, o pior para o período desde o início da série histórica em 2002. O recorde anterior para o bimestre havia sido de R$ 1,36 bilhão negativos, registrado em 2024. A aceleração da deterioração nos primeiros meses deste ano indica que o déficit anual de 2025 pode superar as projeções.
O principal vetor de deterioração é a situação dos Correios, empresa que acumula déficits estruturais num modelo de negócio progressivamente incompatível com a realidade do mercado postal digital. A série do Banco Central que embasa os dados exclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, focando nas estatais menores como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea.
A projeção de rombos crescentes nas estatais compõe um quadro fiscal mais amplo que inclui déficit primário federal de R$ 16,4 bilhões apenas em fevereiro, dívida pública que pode chegar a R$ 10,3 trilhões no fim do ano e recuperações judiciais em nível recorde. O governo que projeta sete anos consecutivos de déficit nas estatais é o mesmo que aumentou os gastos públicos em mais de 20% nos últimos três anos e cuja dívida em relação ao PIB cresceu mais de 10 pontos percentuais no mesmo período.




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