Guerra no Irã e subsídio ao diesel derrubam Ibovespa em quase 5 mil pontos
- Núcleo de Notícias

- 20 de mar.
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Bolsa acumula queda de quase 6% em março e apaga boa parte dos ganhos do ano com aversão a risco no exterior, incerteza fiscal e pressão sobre a Petrobras

A sexta-feira foi de sangria na bolsa brasileira. O Ibovespa perdeu mais de 4 mil pontos nas primeiras horas do pregão, com as atenções concentradas nos novos desdobramentos do conflito no Irã e nas preocupações com um eventual choque inflacionário. Às 16h15, o índice acumulava uma queda de 4.945 pontos, aproximadamente 2,75%, num pregão em que praticamente não havia para onde olhar e encontrar alívio na carteira teórica da B3.
O pano de fundo externo já era suficiente para justificar o recuo. Israel e Irã trocaram novos ataques nesta sexta-feira, um dia após Teerã atingir uma refinaria de petróleo israelense, enquanto o presidente norte-americano Donald Trump alertou Israel contra novos ataques a um campo de gás offshore iraniano compartilhado com o Catar.
Com o petróleo em alta e a guerra sem sinal de encerramento, o mercado financeiro global zerou as apostas de corte de juros nos Estados Unidos para 2026. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os investidores passaram a ver setembro de 2027 como o momento mais provável para uma retomada da flexibilização monetária pelo Federal Reserve. Esse reposicionamento elevou a aversão a risco em escala global, derrubando bolsas e pressionando moedas de países emergentes. O dólar ante o real avançou a R$ 5,31 na máxima do dia, com os juros futuros exibindo fortes altas.
No front doméstico, o quadro tampouco ajudou. O mercado passou a digerir a notícia de uma Medida Provisória que abre crédito extra de R$ 10 bilhões para subsidiar o diesel, além da antecipação do 13º salário do INSS, que soma R$ 78,3 bilhões, medidas que elevaram a cautela com o cenário fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O gasto extra, anunciado sem qualquer contrapartida de corte de despesas, reforça a percepção de que o controle das contas públicas não é prioridade do Palácio do Planalto.
A Petrobras (PETR4) caía mais de 3% no pregão, pressionada justamente pela publicação da Medida Provisória que estabelece o subsídio ao diesel. A empresa absorve o custo político do governo e o acionista paga a conta.
Apenas em março, o Ibovespa já acumulava queda de 5,9%, reduzindo os ganhos do ano para 10,27%. Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o índice havia ultrapassado os 190 mil pontos pela primeira vez, chegando à máxima histórica de 192.624 pontos. Quinze dias foram suficientes para apagar dois meses de avanços.




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