Houthis entram na guerra do Oriente Médio e lançam mísseis contra Israel
- Núcleo de Notícias

- há 1 dia
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Grupo armado financiado pelo Irã executa primeira operação contra Israel desde o início da guerra, ameaçando o Mar Vermelho e abrindo nova frente num conflito que já abala a economia global

O conflito no Oriente Médio ganhou neste sábado (28) uma nova frente. Os rebeldes houthis do Iêmen entraram oficialmente na guerra ao lançar mísseis balísticos contra alvos militares israelenses, num ataque anunciado em vídeo pelo porta-voz do grupo na rede X. É a primeira operação executada pelo movimento pró-iraniano desde o início do conflito em 28 de fevereiro, quando ataques combinados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O Exército israelense confirmou que interceptou o ataque procedente do Iêmen. Não houve vítimas nem danos registrados em território israelense.
A entrada dos houthis era esperada. Na sexta-feira, o grupo havia ameaçado publicamente intervir no conflito, e a ameaça foi cumprida em menos de 24 horas. O movimento é um dos pilares do chamado "eixo da resistência", a rede de organizações armadas financiadas, armadas e coordenadas pelo regime iraniano para projetar pressão sobre Israel e os aliados ocidentais a partir de múltiplas frentes simultâneas. Com o Hezbollah já engajado no Líbano e a Guarda Revolucionária Islâmica operando no Golfo Pérsico, a entrada dos houthis completa a ativação de praticamente toda a cadeia de proxies que Teerã construiu ao longo de décadas com recursos do povo iraniano.
A dimensão econômica da nova frente é imediata. A intervenção dos houthis ameaça perturbar a navegação pelo Mar Vermelho, rota que havia se tornado alternativa para algumas monarquias petrolíferas do Golfo diante do bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz. Se os houthis replicarem a campanha de ataques a navios comerciais que conduziram em 2024, o Mar Vermelho deixará de funcionar como válvula de escape para o escoamento do petróleo da região, tornando o isolamento marítimo do Golfo ainda mais severo do que já é. O impacto sobre os preços do petróleo e sobre as cadeias globais de abastecimento pode ser considerável.
O conflito que começou há 29 dias com objetivos militares precisos contra o programa nuclear e a capacidade ofensiva do Irã se expande geograficamente a cada semana. Israel opera simultaneamente contra o Irã, o Hezbollah no Líbano e agora intercepta mísseis vindos do Iêmen. Os Estados Unidos atacam infraestrutura iraniana, reforçam bases no Golfo e preparam opções de golpe final enquanto negociam indiretamente com Teerã via Paquistão. A cada novo ator que entra no conflito, o custo de uma resolução negociada sobe, e a pressão sobre os mercados globais se aprofunda.




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