Ibovespa: Empresas ganham R$ 372 bilhões em valor de mercado em um único pregão após 1º turno das eleições
Alta de 7,7% leva o índice a 206.911,89 pontos, novo recorde de fechamento

A valorização histórica do Ibovespa na segunda-feira (5) se traduziu em um acréscimo de R$ 372,14 bilhões ao valor de mercado das companhias que compõem o índice. Na sexta-feira (2), o conjunto das empresas da carteira valia R$ 4,833 trilhões. Com a alta de 7,7% da sessão, a soma passou a R$ 5,205 trilhões, patamar inédito, num único dia de negociação.
O índice encerrou a 206.911,89 pontos, que representam também o novo recorde de fechamento. O pico anterior de encerramento havia sido estabelecido em abril, aos 198.657,33 pontos, enquanto a máxima intradiária histórica, de 199.354 pontos, também datava daquele período. A diferença entre o novo fechamento e o antigo topo supera 8,2 mil pontos, o que dá a dimensão do salto promovido pelo mercado depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%.
Todos os grandes índices da B3 avançaram com intensidade. O Índice Financeiro, que reúne bancos, seguradoras e outras instituições do setor, foi o destaque da sessão, com alta de 14,2%. O Índice de Consumo, que agrupa varejistas e empresas de bens de consumo, subiu 10,5%. O Índice Imobiliário, formado por construtoras e empresas do setor de propriedades, avançou 9,87%, e o de Utilidades Públicas, que inclui companhias de energia e saneamento, ganhou 8,4%.
A lógica por trás desse desenho é direta. Bancos lucram mais quando a conjuntura de crédito melhora e a inadimplência cede, o que a perspectiva de uma gestão mais austera nas contas públicas tende a favorecer. Varejistas e construtoras, por sua vez, vivem do poder de compra das famílias e do preço do financiamento, de modo que a queda dos juros futuros, observada ao longo de toda a curva, melhora diretamente o valor presente de seus negócios. As empresas de energia e saneamento, de fluxo de caixa longo e dívida elevada, também ganham quando os juros de longo prazo recuam.
O movimento teve respaldo de grandes instituições internacionais. O J.P. Morgan elevou a recomendação para as ações brasileiras a "overweight", com projeção de ganhos de 12% a 20%, e o Goldman Sachs enxerga o dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 caso o desfecho seja visto como favorável a uma política fiscal mais rígida. O segundo turno, marcado para 25 de outubro, ainda precisa confirmar essa leitura, e a magnitude da alta recomenda cautela quanto à possibilidade de realização de lucros nos próximos pregões. Mas o recado do mercado nesta segunda foi inequívoco: em apenas uma sessão, os investidores acrescentaram mais de R$ 372 bilhões ao patrimônio das maiores empresas do país, sinalizando que veem na troca de comando político a principal chance de reverter um quadro de contas públicas pressionadas, inflação acima do teto da meta e atividade econômica em desaceleração.





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