Ibovespa fecha a semana com alta de 8,82%, a maior em mais de seis anos, e renova recorde acima dos 209 mil pontos
Índice sobe 1,38% na sexta-feira e encerra aos 209.066,90 pontos; dólar cai 4,43% na semana e fecha abaixo de R$ 5, enquanto juros futuros longos recuam mais de 15 pontos-base em um dia, na esteira da liderança de Flávio Bolsonaro nas pesquisas

O Ibovespa terminou a primeira semana completa de outubro no ponto mais alto de sua história. Na sexta-feira (9), o índice avançou 1,38% e fechou aos 209.066,90 pontos, superando o recorde de fechamento anterior, de 206.911,89, que havia sido estabelecido na segunda-feira (5), logo após o primeiro turno. Na sessão, a oscilação foi de 206.237,55 a 209.713,45 pontos, esta última a maior máxima intradiária já registrada. O giro financeiro foi de R$ 39 bilhões, e 50 das 76 ações da carteira fecharam em alta.
No balanço semanal, a valorização foi de 8,82%, a maior em mais de seis anos e a terceira mais forte desde janeiro de 2020, atrás apenas de duas semanas de março e abril daquele ano, em plena turbulência da pandemia. A diferença é que, desta vez, o movimento não decorre de rebote após um choque, e sim de uma mudança de expectativa sobre o rumo do país. Em outubro, o ganho acumulado chega a 12,2%, e em 2026, a 29,7%. Considerando o fechamento de 28 de setembro, quando o índice estava em 182.991 pontos, a alta passa de 14%.
A trajetória da semana mostra o peso do dia seguinte à votação. A segunda-feira teve salto de 7,70%, seguida por quedas de 0,52% na terça e de 0,74% na quarta, em movimento de realização de lucros, e por altas de 0,94% na quinta e de 1,38% na sexta, que devolveram a tendência de valorização. O desempenho ocorreu na contramão do exterior: o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,11%, a 102,25 pontos, o que indica que a força do real e da bolsa teve origem doméstica.
O câmbio refletiu o mesmo humor. O dólar caiu 0,79% na sexta, a R$ 4,985, e acumulou recuo de 4,43% na semana, encerrando abaixo de R$ 5. Nos juros futuros, os contratos de prazos mais longos cederam mais de 15 pontos-base no dia, o que reduz o custo de captação e melhora a avaliação de empresas endividadas.
O pano de fundo é a expectativa de que a eleição de 25 de outubro leve a uma condução econômica mais austera. A pesquisa PoderData divulgada na quinta-feira (8) mostrou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 53% dos votos válidos contra 47% de Lula, e, segundo a cobertura do mercado, levantamentos como o Datafolha e a Atlas também colocam o senador à frente. O J.P. Morgan elevou a recomendação para as ações brasileiras a “overweight”, com projeção de ganhos de 12% a 20%, e o Goldman Sachs enxerga espaço para o dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em um cenário de disciplina fiscal.
O mercado manteve a direção mesmo diante de um noticiário doméstico que, em outras circunstâncias, pesaria sobre os ativos. O IPCA de setembro, divulgado na própria sexta, subiu 0,82% e levou a inflação em 12 meses a 4,58%, acima do teto da meta, e o governo anunciou um pacote de R$ 5,2 bilhões para zerar tributos sobre a gasolina e ampliar subsídios ao diesel e ao etanol, a 16 dias do segundo turno. Nenhum dos dois fatos interrompeu a alta, o que reforça a leitura de que os investidores precificam, acima de tudo, a perspectiva de troca de comando.
A B3 não opera na segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, e volta na terça (13). Os próprios bancos que recomendam a compra ressalvam que ganhos adicionais dependem de sinais concretos de compromisso fiscal e da definição da equipe econômica do vencedor, e um movimento tão rápido costuma abrir espaço para realização de lucros. Mas o fechamento da semana deixa registrado que, em apenas cinco pregões, o mercado brasileiro foi do tom de cautela que predominava no fim de setembro, com a bolsa em torno de 183 mil pontos, a uma máxima histórica.





Comentários