Ibovespa salta 7,70%, supera os 206 mil pontos e escreve o maior capítulo de sua história no 1º pregão após o desempenho de Flávio Bolsonaro
Índice encerra a 206.911,89 pontos, acima da máxima histórica anterior, de 199.354

O Ibovespa protagonizou nesta segunda-feira (5) um dos dias mais intensos de sua trajetória, ao fechar em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, no primeiro pregão depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno da eleição presidencial na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O fechamento deixa para trás a máxima histórica anterior do índice, de 199.354 pontos, registrada em abril, e representa um ganho de quase 15 mil pontos em apenas uma sessão, já que o indicador havia terminado a sexta-feira (2) em 192.114 pontos. O giro financeiro ultrapassou R$ 100 bilhões, volume que equivale a mais de três vezes a média de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões observada nas últimas semanas.
A escalada se deu em etapas. O contrato futuro abriu com salto superior a 9%, perto dos 211 mil pontos, e o índice à vista chegou a tocar 209,6 mil pontos no pico do dia. No início da tarde, o Ibovespa avançava 8,52%, trajetória que o conduzia ao maior ganho em um único pregão desde o começo da pandemia. A realização parcial de lucros reduziu a alta ao fim do dia, mas sem comprometer o recorde.
O dólar comercial, que havia fechado a sexta-feira em R$ 5,21, recuou a R$ 4,97 em seu ponto mais baixo no dia, queda de cerca de 4,7%, enquanto os juros futuros despencaram em toda a curva. Os ADRs de empresas brasileiras negociados em Nova York subiram no pré-mercado, sinalizando que a euforia não ficou restrita ao mercado doméstico.
O ânimo foi alimentado por uma série de revisões de grandes casas internacionais. O J.P. Morgan elevou a recomendação para as ações brasileiras de "neutro" para "overweight", revertendo o rebaixamento feito em agosto, e projetou valorização de 12% a 20% para a bolsa, afirmando que o potencial de ganho do Brasil supera o de qualquer outro mercado latino-americano. O Goldman Sachs estimou que o dólar pode ir a uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 caso o resultado eleitoral seja interpretado como favorável a uma política fiscal mais rigorosa.
Os mercados de previsão, que apostam em desfechos políticos, atribuíam cerca de 85% de probabilidade de vitória a Flávio no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado do primeiro turno sustentou a reação, ao mostrar um quadro de forte avanço da direita no país, incluindo a ampliação da presença de partidos como o PL no Congresso Nacional, o que reforça a percepção de que uma eventual gestão de oposição teria condições mais favoráveis de aprovar uma agenda de ajuste das contas públicas.
O contraste com o cenário que se desenhava até poucas semanas é evidente. Em setembro, o mercado convivia com inadimplência bancária em nível recorde, déficit primário acumulado de R$ 94,9 bilhões em oito meses, dívida bruta em 82,9% do PIB, inflação projetada pelo Banco Central acima do teto da meta e atividade industrial no pior patamar em quase três anos e meio. A bolsa, que se arrastava em torno de 183 mil pontos na semana passada, agora precifica a hipótese de uma virada na condução da política econômica a partir de 2027.
A disputa, porém, ainda não terminou, e os bancos fazem ressalvas. O J.P. Morgan lembrou que novos avanços dependerão de sinais concretos de compromisso fiscal e da definição da equipe econômica da oposição, e um movimento de ganhos tão vigoroso tende a convidar à realização de lucros caso as pesquisas dos próximos dias indiquem recuperação de Lula. O pregão desta segunda, no entanto, deixou registrada a leitura dominante entre os investidores: a de que o eleitor sinalizou, nas urnas, o desejo de mudança, e de que o preço dos ativos brasileiros ainda não refletia essa possibilidade.





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