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IRGC ameaça "resposta esmagadora" a qualquer interferência americana no Estreito de Ormuz

Guarda Revolucionária reivindica recuperação de 50% do tráfego pré-guerra sob supervisão iraniana e diz que trânsito só será expandido a navios com permissão de Teerã



A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou nesta quinta-feira (9) que potências estrangeiras "não têm nada a ver" com o Estreito de Ormuz e que qualquer envolvimento americano na definição das rotas de tráfego pela passagem estratégica receberá uma "resposta esmagadora." Em comunicado, a IRGC acusou Washington de "aventureirismo e interferência" num dos corredores de petróleo mais importantes do mundo.


A Guarda Revolucionária também ameaçou atacar bases americanas na região caso o que chamou de "agressão americana" se repita, segundo a mídia estatal iraniana. A IRGC afirmou ainda ter aumentado o trânsito de embarcações pelo Estreito nas últimas duas semanas, mas atribuiu aos ataques americanos recentes a responsabilidade por ter "seriamente perturbado" o processo de reabertura da rota. Segundo a IRGC, a capacidade de trânsito sob supervisão iraniana havia se recuperado para cerca de 50% dos níveis pré-guerra, mas o trânsito só estava sendo expandido para navios que obtivessem permissão para usar as rotas designadas por Teerã.


O negociador-chefe iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi mais direto ainda na noite de quarta-feira. "Os EUA ainda não aprenderam que intimidação e quebra de compromissos não ficam mais sem custo. Deixe-me ser claro: se atacarem, serão atacados de volta. O Estreito de Ormuz só será reaberto sob arranjos iranianos, não por meio de ameaças americanas", escreveu no X.


As declarações da IRGC desta quinta revelam a estratégia iraniana em sua forma mais explícita: Teerã não pretende encerrar o conflito em condições que não incluam o reconhecimento de sua autoridade sobre o Estreito de Ormuz. A afirmação de que o trânsito só será expandido para navios com permissão iraniana é exatamente o que o Goldman Sachs havia apontado como o principal obstáculo à normalização: "a disposição do Irã, e não a falta de capacidade logística, é a principal restrição para uma recuperação rápida dos fluxos." Com o CENTCOM tendo destruído cerca de 170 alvos militares iranianos em dois dias de ataques consecutivos e o Irã respondendo com ataques ao Bahrein e Kuwait, o conflito está longe do patamar de desescalada que o memorando de entendimento de 14 de junho havia prometido.



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