Irã ameaça resposta "imediata e contundente" a navios que não seguirem rotas aprovadas por Teerã no Estreito de Ormuz
- Núcleo de Notícias

- 2 de jul.
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Enquanto quase metade do tráfego já usa corredor sul via Omã, Irã tenta impor controle regulatório sobre a passagem

O comando militar iraniano emitiu nesta quinta-feira (2) uma ameaça explícita de que Teerã pretende exercer controle sobre o tráfego comercial no Estreito de Ormuz, afirmando que qualquer embarcação que não seguir rotas aprovadas pelo Irã enfrentará "resposta imediata e contundente" das forças armadas. "Qualquer falha em cumprir, desvio da rota designada ou desconsideração dos protocolos de navegação da República Islâmica do Irã no Estreito de Ormuz será respondida de forma imediata e contundente pelas forças armadas, colocando em risco a segurança das embarcações infratoras", disse o comunicado divulgado à mídia estatal iraniana.
A ameaça chega num momento em que os Estados Unidos e parceiros regionais trabalham para desviar o tráfego comercial para um corredor sul que acompanha a costa de Omã, uma rota alternativa projetada para afastar as embarcações do alcance imediato do Irã. Dados da empresa de inteligência marítima Windward mostram que quase metade do tráfego comercial entrante pelo Estreito já usa a rota omaniana. Na quarta-feira, de 45 travessias registradas, 21 usaram o corredor de Omã contra 11 pela rota iraniana. "A rota sul cria uma via que eles não podem taxar ou controlar", disse o almirante aposentado Mark Montgomery à imprensa americana. "Eles sentiram necessidade de atacá-la."
O vice-almirante aposentado Kevin Donegan, ex-comandante da Quinta Frota americana, ofereceu a leitura estratégica mais precisa do que o Irã está fazendo. "A IRGC tem tentado tornar o Estreito comercialmente inviável. Esses ataques a navios não são aleatórios para mim. São estratégia." O objetivo não é fechar o Estreito, mas manter os prêmios de seguro suficientemente altos para que as empresas de navegação permaneçam relutantes em usar a passagem, enquanto o Irã continua "testando a determinação americana."
A disputa sobre quem controla o Estreito domina as negociações em Doha. O parlamentar iraniano Kazem Gharibabadi foi direto no X: "Ormuz é definido sob o comando do Irã, não do CENTCOM. Uma cúpula militar no Bahrein não pode estabelecer ordem legal e segurança para o Golfo Pérsico." O presidente Donald Trump, por sua vez, insiste que não haverá pedágios "de jeito nenhum" após o período de 60 dias, mas o próprio memorando de entendimento não garante explicitamente esse resultado, deixando a questão para as negociações sobre a "administração futura" do Estreito entre Irã, Omã e os estados do Golfo.
O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, resumiu a posição dos países do Golfo com clareza: "A gestão do Estreito estava funcionando bem antes do conflito. Por que deveríamos agora, como resultado de um conflito, aceitar algum arranjo novo?" A pergunta captura a tensão central do pós-guerra: o Irã quer emergir do conflito com um novo status quo no Golfo Pérsico, enquanto seus vizinhos e Washington querem preservar o arranjo pré-guerra. Se o Irã conseguir impor controle regulatório sobre o Estreito, terá transformado uma derrota militar numa vitória estratégica.




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