Irã lança mísseis e drones contra Israel e países do Golfo e nega negociações com os EUA
- Núcleo de Notícias

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Regime de Teerã contradiz Trump e afirma que presidente americano manipulou mercados com informações falsas

A janela diplomática aberta pelo presidente Donald Trump durou menos de 24 horas. Nesta terça-feira (24), o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico, desfazendo na prática qualquer expectativa imediata de encerramento do conflito. Mais do que os ataques em si, a postura do regime foi de confronto direto com a narrativa americana: Teerã negou qualquer contato com autoridades dos Estados Unidos e acusou o presidente Donald Trump de ter manipulado os mercados com informações falsas ao anunciar negociações em andamento.
A ofensiva iraniana desta madrugada foi dividida em três ondas de mísseis disparados contra Israel, com relatos de impactos no norte do país confirmados por autoridades israelenses. Simultaneamente, os ataques se espalharam pela região: no Kuwait, estilhaços dos sistemas de defesa aérea atingiram linhas de energia e provocaram apagões; sirenes de alerta de mísseis soaram no Bahrein; e a Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído 19 drones iranianos lançados pelo regime. O alcance geográfico da ofensiva deixa claro que o Irã não mira apenas Israel, mas tenta desestabilizar toda a arquitetura de segurança do Golfo Pérsico.
No Líbano, Israel respondeu com bombardeios nos subúrbios de Beirute em operações contra infraestrutura do Hezbollah, organização terrorista financiada e armada por Teerã. Um ataque a um prédio residencial na capital libanesa matou pelo menos duas pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi direto ao ponto ao comentar o andamento das operações: "Há mais por vir", afirmou, reforçando que Israel não reduzirá a pressão militar independentemente do que ocorra no front diplomático.
A contradição entre o que o presidente Donald Trump anunciou na véspera e o que o regime iraniano disse e fez nesta terça coloca Washington numa posição delicada. Ou o presidente americano antecipou publicamente conversas ainda em estágio muito inicial, ou o Irã optou por desmentir e escalar simultaneamente, apostando que a pressão militar pode ser usada como trunfo numa eventual negociação. O regime que por décadas financiou grupos terroristas e usou proxies para projetar poder na região parece calcular que atacar e negar ao mesmo tempo é mais vantajoso do que reconhecer qualquer forma de diálogo com Washington, o que seria interpretado internamente como sinal de fraqueza.
Para os mercados, que na véspera comemoraram o anúncio do presidente Trump com forte alta nas bolsas e queda no petróleo, a reversão desta terça tende a ser dolorosa. O Ibovespa havia recuperado mais de 6 mil pontos na segunda-feira precificando um possível acordo. Com o Irã descartando publicamente qualquer negociação e ampliando os ataques para múltiplos países do Golfo, o cenário de conflito prolongado volta ao centro das atenções, com tudo o que isso representa para o preço do petróleo, a inflação global e o apetite por risco nos mercados emergentes.




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