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J.D. Vance anuncia que negociações falharam: "O Irã escolheu não aceitar nossas condições"

Vice-presidente americano retorna aos EUA sem acordo e avisa que o resultado é "má notícia para o Irã muito mais do que para os Estados Unidos"



O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, anunciou em coletiva de imprensa em Islamabad, que as negociações com o Irã não produziram acordo. A declaração encerra, ao menos por ora, a rodada diplomática que havia gerado expectativa global de que o cessar-fogo de duas semanas poderia evoluir para um entendimento permanente.


"A má notícia é que não chegamos a um acordo. E acho que isso é má notícia para o Irã muito mais do que é má notícia para os Estados Unidos da América", disse J.D. Vance aos jornalistas, num tom que combinava seriedade com a firmeza de quem acredita que o poder de barganha está inteiramente do lado americano. O vice-presidente acrescentou que a delegação dos Estados Unidos foi clara e inflexível na apresentação de suas linhas vermelhas ao longo das conversas. "Voltamos aos Estados Unidos sem ter chegado a um acordo. Deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, em que coisas estamos dispostos a acomodá-los e em que coisas não estamos dispostos. Deixamos isso tão claro quanto possível, e eles escolheram não aceitar nossas condições", afirmou.


O vice-presidente J.D. Vance não forneceu detalhes sobre os pontos específicos de impasse, mas o quadro das últimas semanas já permite mapear as principais divergências: o Irã insiste em manter o direito ao enriquecimento de urânio, condição que o presidente Donald Trump classificou como inaceitável; Teerã vincula qualquer acordo à cessação dos ataques israelenses no Líbano, posição que os Estados Unidos e Israel rejeitam; e o regime ainda não cumpriu a condição central do cessar-fogo, com o Estreito de Ormuz operando muito abaixo da capacidade normal apesar das promessas de passagem segura.


A ruptura das negociações coloca os mercados globais, que haviam precificado um desfecho positivo nas conversas ao longo da semana, diante de uma realidade mais sombria. O Ibovespa fechou na sexta-feira em novo recorde histórico acima dos 197 mil pontos apostando num acordo. O petróleo havia recuado. As bolsas globais avançaram. Tudo isso precificando Islamabad como o início do fim do conflito. O anúncio do vice-presidente J.D. Vance no fim deste sábado muda esse cálculo de forma abrupta.


O que vem a seguir depende do presidente Donald Trump, que nas últimas semanas deixou claro que as forças americanas estão "reabastecidas, descansadas e prontas" e que qualquer descumprimento do acordo significaria que "os tiros começam, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer coisa já vista antes." Com as negociações fracassadas e o cessar-fogo de duas semanas ainda em vigor mas sem acordo à vista, a janela antes do retorno das hostilidades pode ser medida em dias.



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