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JPMorgan mantém cautela e diz que Brasil perdeu atratividade relativa na América Latina

há 11 horas
3 min de leitura

Banco segue neutro no mercado brasileiro diante de juros altos, desaceleração e incerteza eleitoral



O JPMorgan manteve postura cautelosa para as ações de pequena e média capitalização da América Latina e destacou que o Brasil perdeu atratividade relativa dentro da região, num cenário ainda marcado por juros elevados, desaceleração da atividade econômica e incerteza política ligada às eleições de 2026. Em relatório global, o banco reafirmou preferência por ações de grande porte ligadas a commodities e exportação, em detrimento do universo de small e mid caps latino-americanas, argumentando que as condições financeiras seguem restritivas na maior parte da região, o que limita uma reprecificação mais consistente das companhias voltadas ao mercado doméstico.


No recorte específico sobre o Brasil, o JPMorgan manteve posição neutra no mercado acionário, avaliando que o ciclo de afrouxamento monetário está mais próximo do fim, enquanto a atividade econômica perde fôlego e o ciclo de crédito mostra sinais de deterioração. Os estrategistas do banco também apontam que a proximidade das eleições presidenciais aumenta a incerteza dos investidores, num momento em que o real apresenta um dos maiores retornos de carregamento entre moedas emergentes, mas já se encontra em posição considerada "sobrecomprada" por parte do mercado — combinação que, segundo o relatório, tende a deixar os ativos brasileiros mais vulneráveis a episódios de volatilidade nos próximos meses.


Ainda assim, o JPMorgan reconhece que o Brasil segue como um dos principais candidatos a se beneficiar do que classifica como "bônus eleitoral", ao lado de Chile e Argentina, caso as expectativas de políticas mais comprometidas com o ajuste fiscal ganhem força ao longo do próximo ano — uma hipótese que ganhou força nas últimas semanas diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais e da reação positiva do mercado a cada nova sinalização de fortalecimento da candidatura de oposição.


Apesar da cautela macroeconômica, o relatório reconhece que as small caps latino-americanas continuam negociando com múltiplos descontados. No caso brasileiro, as empresas de menor capitalização negociam próximas de 12 vezes lucro, abaixo das médias históricas, além de apresentarem dividend yield elevado e geração de caixa atrativa — entre as métricas de valuation mais baratas do mundo, segundo o banco. Ainda assim, o JPMorgan argumenta que isso, isoladamente, não é suficiente para justificar uma alocação mais agressiva, já que o principal obstáculo continua sendo o patamar dos juros. "Nosso estrategista para a região mantém uma postura taticamente cautelosa em relação a empresas de pequeno e médio porte até setembro. Embora os valuations em todo o segmento não estejam excessivos, o cenário macroeconômico continua favorecendo a exposição a empresas de grande porte, particularmente nos setores ligados a commodities, que permanecem sustentados por maior visibilidade de lucros, tendências de demanda global e interesse de investidores estrangeiros", afirma o relatório.


Para a equipe de estratégia do banco, o ambiente global atual segue favorecendo companhias ligadas a commodities e exportações. O JPMorgan destaca que o cenário de petróleo mais elevado — reflexo direto da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã —, os investimentos globais em infraestrutura e inteligência artificial, e possíveis impactos climáticos sobre a oferta de matérias-primas continuam sustentando preços favoráveis para diversos produtos básicos. Isso beneficia especialmente países exportadores como Brasil, Chile e Peru, onde a participação elevada de setores ligados a commodities nos índices acionários favorece justamente as empresas de grande porte.


Para o mercado brasileiro especificamente, o JPMorgan avalia que, embora o "trade eleitoral" possa continuar sustentando os ativos locais nas próximas semanas, o melhor posicionamento segue concentrado nas grandes exportadoras e em companhias de perfil defensivo — como Petrobras e Embraer, historicamente citadas pelo banco entre suas preferências no índice —, enquanto as small caps dependem de um cenário mais favorável para juros, crédito e crescimento doméstico para voltar a atrair fluxos de forma mais consistente.



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