JPMorgan vê Ibovespa em 230 mil pontos, mas avisa que a bolsa já está no cenário-base e que a virada estrutural depende do Brasil
- Núcleo de Notícias

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Banco aposta em corte na Selic em abril e projeta taxa em 11,75% no fim do ano; fluxo estrangeiro pode ser recorde global nos próximos dois meses, mas risco eleitoral limita o upside

O JPMorgan atualizou sua avaliação sobre o mercado brasileiro após a melhora do cenário geopolítico com o cessar-fogo no Oriente Médio e o Ibovespa renovando recordes históricos, e o diagnóstico tem um tom de cuidado que o entusiasmo dos últimos pregões pode estar ofuscando. O Ibovespa está sendo negociado atualmente em torno do cenário-base do banco, de 190 mil pontos. Atingir a meta otimista de 230 mil pontos provavelmente exigiria que o Brasil mudasse de uma estratégia impulsionada pelo momento para uma história de crescimento estrutural mais sustentável.
A condição para o cenário dos 230 mil é precisa e exigente. Isso, por sua vez, provavelmente exigiria mudanças nas políticas: uma postura fiscal mais crível criaria espaço para uma política monetária mais flexível e ajudaria a comprimir os rendimentos em toda a curva. Se essas condições se concretizarem, o Brasil poderá ter um desempenho significativamente superior. Em outras palavras, o banco está dizendo que o patamar atual já está precificado, e ir além exige que o país entregue algo que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sinalizou: disciplina fiscal crível.
No campo macroeconômico, a visão do JPMorgan é construtiva para o curto prazo. Os economistas do banco esperam que o Comitê de Política Monetária acelere o ritmo de corte da Selic para 50 pontos-base já na reunião de 29 de abril, mantendo esse passo ao longo do ano. Com isso, a taxa básica de juros encerraria 2026 em 11,75% ao ano, abaixo do que está atualmente precificado pelo mercado.
O fluxo estrangeiro é outro elemento relevante da análise. Na visão da equipe de estratégia do JPMorgan, é bastante impressionante que o Brasil tenha registrado entradas de capital estrangeiro durante todo o mês de março, enquanto os mercados emergentes registraram saídas. O banco projeta que, assumindo metade da entrada semanal observada no período pré-guerra, os mercados emergentes receberiam cerca de US$ 36 bilhões nos próximos dois meses, o que colocaria os fluxos no nível mais alto de todos os tempos, superando 2021.
O banco, no entanto, não deixa de sinalizar os riscos que podem travar o movimento. O desempenho relativamente superior do Brasil em relação ao restante dos mercados emergentes pode moderar à medida que os preços do petróleo caem e o ruído relacionado às eleições se torna um fator mais importante nos mercados. Isso é especialmente relevante para a Petrobras, cujo rali geopolítico tende a perder combustível com o barril recuando.
O resultado das eleições importa. Se no cenário-base a visão é de um Ibovespa a 190 mil pontos, o cenário otimista é de 230 mil pontos e o pessimista é de 120 mil pontos. A amplitude entre os dois extremos é uma das maiores já projetadas por um banco global para o mercado brasileiro e reflete a natureza binária de uma eleição que o próprio JPMorgan reconhece ser das mais difíceis de modelar em anos recentes. O Brasil que pode ir a 230 mil pontos é o mesmo que pode ir a 120 mil, dependendo de quem sentar na cadeira presidencial em janeiro de 2027 e do que fizer com as contas públicas.




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