Lula chama de "pirataria" a proposta americana de cobrar 20% no Estreito de Ormuz e diz que Trump "inventou a guerra"
- Núcleo de Notícias
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Presidente afirma ainda que o programa nuclear iraniano é "mentira"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (13), durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia em São Paulo, que os Estados Unidos estariam praticando "pirataria" ao propor cobrar 20% sobre as cargas que transitarem pelo Estreito de Ormuz. "Antigamente, isso se chamava pirataria. Um estado importante como os EUA, por muito tempo, combateu a pirataria. Não volte agora a virar pirata", disse o presidente.
Lula foi além e afirmou que a guerra contra o Irã foi "inventada" pelos Estados Unidos, e que a alegação de que o Irã queria desenvolver uma arma nuclear é "mentira." "O Brasil deu algum tiro? Não. Matou alguém? Não. Não podemos aceitar que a guerra contra o Irã, inventada pelos EUA, dizendo que o Irã queria fazer arma nuclear — o que posso dizer que é mentira — o preço da guerra está chegando no feijão, no arroz, no tomate", declarou.
As afirmações de Lula merecem ser confrontadas com os fatos. O programa nuclear iraniano não é uma invenção americana: é documentado pela própria Agência Internacional de Energia Atômica, que identificou desvios das obrigações do Irã sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear ao longo de anos. O enriquecimento de urânio em níveis acima do permitido pelo JCPOA (Joint Comprehensive Plan of Action - Plano de Ação Conjunto Global), as instalações nucleares construídas em segredo e reveladas por inteligência ocidental e israelense, e as próprias declarações de líderes iranianos sobre o direito do país ao programa nuclear são fatos amplamente documentados, não ficção americana. Chamar essa realidade de "mentira" num evento público é uma declaração que vai muito além da crítica à política externa americana e entra no campo da desinformação sobre uma das questões de segurança mais graves do mundo.
Sobre a pirataria, a ironia é que o próprio Irã passou meses bloqueando o Estreito de Ormuz, atacando navios comerciais, atingindo embarcações de países neutros e impedindo o livre fluxo de energia que sustenta a economia global, incluindo a brasileira. Lula reserva a acusação de pirataria para os Estados Unidos, que estão tentando reabrir a passagem, e não para o Irã, que a bloqueou e atacou navios, revela uma seletividade que dificulta qualquer credibilidade do Brasil como voz de equilíbrio no conflito.
A declaração também é politicamente incoerente com a posição do próprio Brasil. Lula diz que o país não atirou em ninguém e não deveria pagar pelo conflito, mas ao mesmo tempo defende o Irã, país historicamente financiador de grupos terroristas, que foi o regime que fechou o Estreito, atacou navios comerciais e expandiu seu programa nuclear em violação dos acordos internacionais, gerando exatamente o choque de energia cujo custo agora chega, nas palavras do próprio presidente, "no feijão, no arroz, no tomate" dos brasileiros.
