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Maduro volta ao tribunal em Nova York enfrenta possibilidade de prisão perpétua

Ex-ditador venezuelano, capturado em Caracas em janeiro, nega culpa e alega ser "presidente constitucional"



Nicolás Maduro compareceu nesta quarta-feira (22) ao tribunal em Nova York, onde seus advogados mantêm a tentativa de contestar a legalidade da operação americana que o capturou em Caracas em janeiro. O homem que destruiu a Venezuela durante uma década de ditadura, perseguiu opositores, fraudou eleições e construiu um dos regimes mais corruptos e sanguinários do hemisfério está agora sentado num banco de réus no Brooklyn, respondendo a acusações de tráfico internacional de drogas.


Maduro, de 63 anos, e a esposa Cilia Flores, de 69, foram capturados por forças americanas em operação surpresa durante a madrugada em sua residência em Caracas e transportados para Nova York no início de janeiro. Ambos se declararam inocentes e podem ser condenados à prisão perpétua se um júri concluir que participaram de conspiração para enviar cocaína aos Estados Unidos em conluio com autoridades venezuelanas, beneficiando chefes do narcotráfico.


Mesmo diante das acusações, Maduro manteve a retórica de sempre. "Eu não sou culpado. Sou um homem decente, o presidente constitucional do meu país", disse em espanhol na audiência de janeiro. A afirmação é tão falsa quanto os resultados eleitorais que seu regime fabricou ao longo de anos: Maduro não é presidente constitucional de nada. É o homem que em julho de 2024 anulou a vitória esmagadora de Edmundo González Urrutia, documentada pelas próprias atas eleitorais com 7 milhões de votos contra 3, e mandou prender quem ousasse contestar a fraude.


O governo Trump descreveu a captura como uma "operação cirúrgica de aplicação da lei" num caso criminal aberto há seis anos, e a descrição é precisa. Maduro não foi vítima de arbitrariedade, e sim alcançado pela Justiça que evadiu por anos atrás do poder que usurpou.


O juiz Alvin K. Hellerstein ainda não definiu a data do julgamento. Quando ele começar, o povo venezuelano que sofreu décadas de escassez, repressão e êxodo em massa terá a oportunidade de ver seu algoz responder pelos crimes que cometeu, não num tribunal bolivariano manipulado, mas numa corte federal americana onde as provas falam por si.



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