Ministro da Fazenda admite que "taxa das blusinhas" pode voltar se houver "desarranjo" no mercado
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Dario Durigan diz que Fazenda mantém poder de recriar o imposto

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o governo poderá retomar a "taxa das blusinhas" caso identifique "desarranjo" no mercado após a suspensão do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. "Caso haja algum desarranjo, um avanço disso, é preciso avaliar e trazer isso a debate público e, eventualmente, trazer de volta essa taxa", afirmou o ministro.
A declaração revela o que estava por trás da medida anunciada como "bondade" do governo na semana passada: não se trata de uma revogação definitiva do imposto, mas de uma suspensão temporária de 60 dias, prorrogável por mais 60, com a Fazenda mantendo plenos poderes para recriar a cobrança a qualquer momento que considere conveniente. O governo que criou o imposto em agosto de 2024, o defendeu como "proteção do emprego e da renda" e o revogou a menos de cinco meses das eleições, agora avisa que pode recriá-lo.
A contradição interna do governo é exposta pela própria declaração do ministro Dario Durigan: "O presidente Lula sempre teve ressalvas ao imposto", disse. Se o presidente sempre teve ressalvas, por que o governo criou, aprovou no Congresso, implementou, arrecadou R$ 5 bilhões em 2025 e defendeu o imposto com tanto vigor por quase dois anos? A resposta está nas pesquisas eleitorais: 62% dos brasileiros consideravam a taxa um erro do governo, e com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderando as principais pesquisas de segundo turno, o Palácio do Planalto decidiu que os R$ 5 bilhões anuais de arrecadação valiam menos do que os pontos percentuais de aprovação que a extinção poderia render.
O ministro tentou ainda afastar a leitura de que a MP tem motivação eleitoral, dizendo não ter "dúvida" de que o Congresso vai converter a medida em lei e lembrando que a oposição coletou quase 400 assinaturas num projeto com sentido semelhante. O argumento é frágil: o fato de a oposição também querer o fim da taxa não apaga que foi o governo Lula quem a criou, cobrou, arrecadou e agora a extingue por decreto às vésperas das eleições, reservando para si o poder de recriá-la posteriormente.




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