Petróleo despenca: Brent recua abaixo de US$ 92 com anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã
- Núcleo de Notícias

- há 4 dias
- 2 min de leitura
Brent cai para US$ 91,47 e WTI recua a US$ 92,52 na maior queda diária desde o início da guerra; diesel europeu despenca 17,8% com perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz

O mercado de petróleo reagiu com força ao anúncio do cessar-fogo bilateral entre os Estados Unidos e o Irã. Por volta das 9h no horário de Brasília, o barril do tipo Brent, referência internacional, despencava US$ 12,12, queda de 11,8%, para US$ 92,25, rompendo a barreira dos US$ 100 pelo lado de baixo após semanas operando consistentemente acima desse nível. O WTI americano recuou de forma ainda mais intensa, perdendo US$ 20,51, ou 18,20%, para US$ 92,43. O diesel europeu de referência também desabou, com queda de US$ 271,50, ou 17,8%, para US$ 1.256,25 por tonelada métrica. São quedas que refletem a magnitude do choque que o conflito havia causado nos mercados desde 28 de fevereiro.
A reversão ocorreu poucas horas antes do vencimento do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz ou enfrentasse ataques generalizados à sua infraestrutura civil. O presidente havia publicado pela manhã que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso suas exigências não fossem atendidas, e o mercado havia precificado a possibilidade real de uma escalada sem precedentes. O anúncio do cessar-fogo, portanto, desfez em horas um prêmio de risco que havia se acumulado ao longo de cinco semanas de conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o compromisso iraniano: o Irã interromperá seus ataques caso os bombardeios americanos cessem, e o trânsito seguro pelo Estreito de Hormuz será garantido por duas semanas em coordenação com as forças armadas iranianas. A condição de coordenação com Teerã para a passagem dos navios é um detalhe que o mercado deverá monitorar de perto nas próximas horas e dias, uma vez que representa uma forma de controle iraniano sobre a rota que pode gerar fricção durante o período de negociação.
A queda de mais de 11% num único pregão é a maior desde o início da guerra e coloca o Brent em patamares que não eram vistos desde antes do conflito se intensificar. O preço ainda acumula alta expressiva em relação aos níveis pré-guerra, quando o barril oscilava abaixo de US$ 70, o que significa que a plena normalização dos mercados de energia depende não apenas do cessar-fogo, mas da efetiva reabertura do Estreito, da retomada do fluxo normal de navios comerciais e da consolidação de um acordo permanente nas próximas duas semanas de negociação.
Para os consumidores ao redor do mundo, a queda dos preços do petróleo e do diesel é o início de um processo de alívio que precisará de semanas para se materializar completamente nos postos de gasolina e nas contas de energia. Para os mercados financeiros, o cessar-fogo remove o principal fator de risco que havia derrubado bolsas, pressionado moedas e forçado bancos centrais a adiarem ciclos de corte de juros. O próximo capítulo será escrito nas duas semanas de negociação entre Washington e Teerã, cujo desfecho determinará se esta queda no petróleo é o começo de uma normalização duradoura ou apenas uma pausa numa guerra que pode retornar.




Comentários