Petróleo novamente dispara mais de 7% com o conflito no Oriente Médio
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- há 2 dias
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Escalada envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã amplia temor de choque na oferta global

Os contratos internacionais de petróleo voltaram a registrar forte alta nas negociações desta terça-feira, prolongando o movimento iniciado na sessão anterior, quando os preços já haviam avançado mais de 7%. O impulso continua ancorado na deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio e nas ameaças diretas ao fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita aproximadamente 20% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.
Por volta das 8h, no horário de Brasília, o barril do Brent era negociado a US$ 83,60, com avanço de 7,36%. Já o WTI, principal referência nos Estados Unidos, atingia US$ 76,46, com valorização de 7,67%.
Na véspera, os dois benchmarks haviam alcançado as maiores cotações em cerca de um ano, após a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que culminou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. A resposta de Teerã elevou o grau de incerteza regional e acrescentou um prêmio de risco significativo às curvas futuras da commodity.
O foco central do mercado permanece no Estreito de Ormuz, considerado um gargalo logístico vital para as exportações de grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos. Autoridades iranianas sinalizaram a possibilidade de fechamento total da rota e advertiram que embarcações que tentarem cruzar a hidrovia poderão se tornar alvos, o que amplia o risco para a infraestrutura de transporte e abastecimento global.
O rali observado nas últimas sessões reflete o temor de que o confronto evolua para um embate prolongado envolvendo múltiplos atores regionais. A eventual ampliação das hostilidades poderia comprometer instalações de produção, terminais de exportação e rotas marítimas, produzindo impacto estrutural na oferta internacional de petróleo.
Mais do que uma reação pontual, o mercado começa a precificar a hipótese de um choque energético com efeitos prolongados. Em um contexto de estoques ajustados e demanda ainda resiliente, qualquer interrupção significativa no fluxo pelo Golfo Pérsico tende a pressionar preços de combustíveis, inflação global e política monetária em diversas economias. A instabilidade no Oriente Médio, portanto, deixa de ser apenas um evento regional e passa a influenciar diretamente as expectativas macroeconômicas globais nos próximos meses.




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