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Petróleo recua 5% com sinais de negociação entre EUA e Irã e expectativa de cessar-fogo de 30 dias

Brent cai para US$ 99,30 e WTI recua a US$ 87,63, mas Estreito de Ormuz segue fechado na prática e mercado permanece volátil, guiado por cada nova declaração política



Os preços do petróleo voltaram a recuar nesta quarta-feira (25), desta vez com força, depois que o presidente Donald Trump confirmou que Washington e Teerã estão "em negociações neste momento" e sinalizou que o Irã está disposto a chegar a um acordo de paz. O barril do tipo Brent, referência internacional, caiu 5%, para US$ 99,30, tendo chegado a tocar US$ 97,15 na mínima do dia. O WTI americano recuou na mesma proporção, para US$ 87,63. Em poucas semanas, o mesmo barril que chegou perto de US$ 115 agora se aproxima da casa dos US$ 97, refletindo com precisão a velocidade com que as manchetes geopolíticas movem esse mercado.


O movimento foi alimentado por dois elementos concretos além das declarações do presidente americano. O primeiro foi a divulgação de um plano em 15 pontos elaborado pelos Estados Unidos como roteiro para o encerramento da guerra com o Irã. O segundo foi a informação do Canal 12 de Israel de que Washington estaria buscando um cessar-fogo inicial de um mês como primeiro passo para uma resolução mais ampla do conflito. A combinação de um documento estruturado e de um prazo concreto deu mais substância à perspectiva de saída do conflito do que as declarações anteriores, que oscilavam entre o otimismo do presidente Trump e as negativas iranianas.


O ponto de atenção, porém, é que o Estreito de Ormuz permanece fechado na prática. Por mais que as negociações avancem no plano diplomático, o canal por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial ainda não voltou a operar normalmente, e qualquer ruptura nas tratativas pode reverter rapidamente o movimento de queda dos preços. O mercado aprendeu nas últimas semanas a não antecipar desfechos: na segunda-feira, o anúncio do presidente Donald Trump sobre negociações derrubou o petróleo e disparou bolsas; na terça, o Irã lançou mísseis e desmentiu qualquer contato com Washington, invertendo tudo em questão de horas.


A volatilidade desta quarta-feira é, portanto, a expressão mais fiel do momento: um conflito que ainda não terminou, com um Estreito que ainda não abriu, mas com sinais crescentes de que ambos os lados estão testando os contornos de uma saída negociada. O prêmio de risco no barril ainda não foi eliminado, apenas reduzido. O mercado sabe que uma única declaração, de qualquer lado, é suficiente para refazer o caminho em horas.



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