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PMI de serviços cai a 49,2 em setembro, na maior perda de produção do setor privado em um ano

há 2 dias
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Atividade encolhe, com novos pedidos em queda e demissões mais rápidas; empresas, porém, projetam melhora após as eleições



A atividade no setor de serviços do Brasil encolheu em setembro, na maior intensidade desde outubro do ano passado, segundo o Índice de Gerentes de Compras divulgado nesta segunda-feira (5) pela S&P Global. O PMI de serviços recuou de 50,5 pontos em agosto para 49,2 em setembro, cruzando para baixo a linha dos 50, que divide o crescimento da retração.


Como a indústria também perdeu fôlego no mesmo mês, com o PMI do setor em 44,8 pontos, o indicador composto, que reúne as duas áreas, caiu de 49,1 para 47,4. Foi a queda mais acentuada da produção do setor privado em doze meses, o que reforça a leitura de uma economia que desacelera em várias frentes ao mesmo tempo, em linha com a revisão do Banco Central, que reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 para 1,8%.


Entre os motivos apontados pelas empresas consultadas estão limitações de orçamento por parte dos clientes, concorrência mais dura, demanda enfraquecida e cancelamento de projetos. Também foram citados o ambiente político e econômico, a escassez de investimentos e o efeito de greves. A queda das vendas e da produção foi leve, mas os novos pedidos diminuíram pela quarta vez em sete meses, e as prestadoras de serviços responderam cortando vagas em ritmo moderado, o mais veloz dos últimos três meses. O quadro de funcionários encolheu em três dos quatro meses mais recentes, num sinal de que o mercado de trabalho, até aqui apontado como ponto de sustentação da atividade, começa a sentir o peso do crédito caro e do consumo contido.


Os preços trouxeram o único respiro do levantamento. O custo de operação continuou subindo, pressionado por químicos, materiais elétricos, alimentos, combustíveis, metais, embalagens, papel e madeira, mas a taxa de alta foi a menor em seis meses. As tarifas cobradas dos clientes avançaram no menor ritmo em oito meses, já que as empresas só conseguiram repassar parte do aumento.


O otimismo do empresariado com os próximos meses destoa do retrato do presente. As companhias melhoraram suas perspectivas de crescimento da demanda e da produção, apoiadas na expectativa de que as condições econômicas melhorem depois da eleição, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro. A esperança de mudança aparece também nos preços dos ativos: o mercado reagiu nesta segunda-feira ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno com forte alta da bolsa e queda do dólar e dos juros futuros.


O pano de fundo, no entanto, segue pesado. A Selic está em 13,75% ao ano, a inadimplência bancária bateu 5%, recorde da série, e o endividamento das famílias atinge níveis inéditos, fatores que travam consumo e investimento no setor que mais emprega no país. O dado de setembro mostra que, enquanto aguarda o resultado das urnas, o empresário de serviços enfrenta um presente de vendas fracas, contratações em baixa e demanda contida, e deposita na mudança de rumo político a expectativa de reverter esse cenário.



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