Preocupante: Ibovespa fecha em queda de 0,42% apesar do acordo EUA-Irã
- Núcleo de Notícias

- há 4 dias
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Índice encerra a 170.415 pontos, mesmo com o aumento do apetite por risco global

O Ibovespa reverteu os ganhos da manhã e fechou nesta segunda-feira (15) em queda de 0,42%, encerrando a sessão a 170.415,13 pontos, após ter alcançado máxima de 174.228,27 e mínima de 170.351,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,19 bilhões. O índice havia subido mais de 1,6% durante o pregão, animado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã, mas o peso da Petrobras no índice — a maior posição do Ibovespa — foi determinante para inverter o sinal.
O paradoxo do pregão desta segunda resume com clareza o dilema estrutural da bolsa brasileira: o acordo que é uma notícia extraordinariamente positiva para a economia global derrubou o petróleo mais de 4%, com o Brent recuando para US$ 83,82 por barril, e isso penalizou diretamente as ações da Petrobras, que têm peso relevante no índice. Entretanto, outros ativos não ganharam a tração necessária para compensar, e o Ibovespa fechou no vermelho num dia em que o Nikkei subiu 5% e o S&P 500 avançava mais de 1%.
O fechamento em queda não apenas reflete a concentração estrutural do índice em Petrobras, mas também sinaliza que os problemas domésticos brasileiros são pesados demais para ser resolvidos apenas pelo alívio geopolítico externo. O Boletim Focus desta segunda-feira confirmou essa leitura com números que ajudam a explicar a resistência do mercado em subir: a projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, registrando a 14ª alta consecutiva nas expectativas de inflação. Para a Selic, a estimativa no fim de 2026 avançou de 13,50% para 13,75% ao ano, na segunda elevação seguida. Para 2027, a projeção da taxa básica saltou de 11,50% para 12,00%, também na segunda alta consecutiva.
Em outras palavras: enquanto o mundo celebrava o fim da guerra e precificava queda da inflação e espaço para cortes de juros, o mercado brasileiro elevava pela 14ª semana seguida suas projeções de inflação e pela segunda vez consecutiva revisava para cima a Selic esperada para os próximos dois anos. O apetite por risco global aumentou com o acordo, mas o Brasil tem problemas fiscais, inflacionários e eleitorais suficientemente graves para que os investidores mantenham cautela mesmo num dia de euforia no exterior. O Ibovespa que fechou em queda numa segunda-feira de acordo de paz é um termômetro preciso desse desalinhamento entre o alívio externo e a realidade interna.




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