Preços do Petróleo recuam após Trump anunciar negociações com o Irã e adiar ataques à infraestrutura energética
- Núcleo de Notícias

- 23 de mar.
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Goldman Sachs havia acabado de revisar projeções para cima, prevendo Brent a US$ 110 em março e abril, mas fala do presidente americano inverteu o movimento dos mercados em questão de horas

O mercado de petróleo viveu um dos momentos mais voláteis dos últimos anos nesta segunda-feira. O barril do tipo Brent, que chegou a operar acima de US$ 113 pela manhã, despencou até 13% após o presidente Donald Trump publicar no Truth Social que os Estados Unidos e o Irã mantiveram conversas "muito boas e produtivas" nos últimos dois dias e que ordenou às Forças Armadas americanas que adiassem por cinco dias quaisquer ataques contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas. A inversão foi abrupta: em poucas horas, o mesmo ativo que subia com força passou a registrar uma das maiores quedas diárias dos últimos anos.
A publicação de Donald Trump representa uma virada significativa no tom adotado pelo presidente americano apenas 48 horas antes, quando ele havia dado ao Irã um prazo para reabrir o Estreito de Ormuz sob ameaça de destruição das maiores usinas de energia do país. A perspectiva de um acordo diplomático, ainda que incerta e sem detalhes concretos sobre quando a passagem marítima será efetivamente reaberta, foi suficiente para deflagrar uma onda de vendas nos mercados de energia, que nas semanas anteriores haviam precificado um conflito prolongado sem saída negociada à vista.
O timing da declaração pegou de surpresa até os analistas que acabavam de revisar suas projeções para cima. O Goldman Sachs havia divulgado nesta mesma segunda-feira uma atualização elevando consideravelmente suas estimativas: o banco passou a esperar que o Brent atinja média de US$ 110 em março e abril, contra previsão anterior de US$ 98, o que já representava alta de 62% em relação à média anual de 2025. Para o WTI, as estimativas foram revisadas para US$ 98 em março e US$ 105 em abril. Horas depois, o presidente Donald Trump derrubou o mercado com uma postagem.
O banco havia alertado que, caso o fluxo pelo Estreito de Ormuz se mantivesse em apenas 5% da capacidade normal até 10 de abril, os preços tenderiam a seguir em alta. Em um cenário mais prolongado de dez semanas nesse patamar, o Brent poderia superar o recorde histórico de julho de 2008, quando o barril chegou perto de US$ 147 antes de desabar para US$ 40 com o impacto da crise financeira global sobre a demanda. Esse cenário extremo, que parecia cada vez mais plausível no início da semana, perdeu força imediata com o anúncio do presidente Trump, ainda que a situação permaneça longe de resolvida.
O Estreito de Ormuz segue operando em condições muito abaixo do normal, e não há confirmação de quando ou se a rota será plenamente reaberta. A suspensão dos ataques por cinco dias abre uma janela diplomática, mas não encerra o conflito nem garante que o regime iraniano, que financia grupos terroristas na região e manteve o mundo reféns de sua política de intimidação marítima por semanas, cumprirá qualquer compromisso assumido nas negociações. O mercado reagiu ao alívio imediato, mas a volatilidade desta segunda-feira deixa claro que qualquer nova declaração do presidente Donald Trump, ou qualquer novo movimento iraniano, é capaz de inverter completamente o quadro em questão de minutos.




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