Reeleição de Lula derruba o mercado: B3 aciona circuit breaker, índice futuro cai 15% e dólar dispara 8,65%, a R$ 5,42
Primeiro pregão depois do segundo turno começa com negociações paralisadas, limites de oscilação ampliados e cancelamento de leilão do Tesouro

A primeira sessão da bolsa depois da reeleição do presidente Lula (PT) começou nesta segunda-feira (26) com circuit breaker e negociações paralisadas. O índice futuro da B3 caiu 15% logo depois da abertura, e o dólar comercial disparou mais de 8%, chegando a R$ 5,42, uma alta de 8,65% sobre o fechamento de sexta-feira, quando a moeda encerrou pouco abaixo de R$ 5. É a maior valorização intradiária do dólar desde janeiro.
O circuit breaker é o mecanismo que interrompe as negociações para conter quedas bruscas: no Ibovespa, uma queda de 10% sobre o fechamento anterior pausa o pregão por 30 minutos, e, se a baixa atingir 15% depois da reabertura, há nova pausa, de uma hora. No mercado futuro, que abre às 9h, o índice bateu o limite de baixa de 15% e teve as negociações suspensas até as 9h30, reabriu em forte volatilidade e acionou um segundo circuito. Para conter o movimento, a B3 ampliou os limites do dia: no câmbio, o teto passou para 12%, e nos contratos de Ibovespa a margem máxima de queda subiu de 10% para 15% e, depois, para 20%. Por volta das 9h30, o dólar futuro subia mais de 12%, a R$ 5,60, e o contrato do índice com vencimento em dezembro recuava mais de 17%. No mercado à vista de ações, a B3 acionou o circuit breaker às 9h57, ainda durante o leilão de abertura, suspendendo os negócios por 30 minutos.
Nunca antes o Ibovespa teve o circuit breaker acionado na esteira de um resultado eleitoral. A reação se explica pelo tamanho da aposta desfeita. O mercado vinha precificando a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado à frente por todas as pesquisas, e na sexta-feira o Ibovespa havia fechado a 205.082 pontos, perto da máxima histórica, com o dólar abaixo de R$ 5, num movimento sustentado por bilhões em fluxo estrangeiro e pela expectativa de um aperto fiscal que abrisse espaço para a queda dos juros. A reeleição do petista, que obteve 51,78% dos votos válidos, foi tratada como surpresa. Os relatos mencionam ainda que o Tesouro cancelou um leilão e que o ETF que replica o mercado brasileiro em Nova York chegou a cair cerca de 19%.
Quem move o mercado com mais intensidade, e portanto o preço dos ativos, é o investidor estrangeiro. Em 2026, ele responde por cerca de 60% da participação no mercado acionário brasileiro, e foi o capital de fora que sustentou a alta do Ibovespa até a véspera da votação: o saldo de entradas líquidas no ano chegava a R$ 48,4 bilhões em 16 de outubro, dos quais mais de R$ 10 bilhões entraram num único pregão, o de 5 de outubro, depois do primeiro turno. Os sinais desta segunda-feira são de movimento inverso e em massa. O ETF que replica a bolsa brasileira em Nova York chegou a cair cerca de 18%, a moeda brasileira recuou mais de 11% no mercado futuro, e o volume dos contratos, que só serão contabilizados em fluxo depois do fechamento, indica desmobilização das apostas montadas nas últimas semanas.
Entre críticos do resultado, a combinação de uma prorrogação do horário de votação decidida na tarde do próprio pleito, por um ministro que foi advogado do presidente e que não integra a Justiça Eleitoral, com a vitória do governo contra um adversário que liderou as pesquisas e o primeiro turno, evoca o que ocorreu na Venezuela, e a confiança do investidor no país está em nível mínimo.
Os números alimentam a cautela: o governo central acumula déficit primário de R$ 94,9 bilhões em 2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB, o mercado projeta rombo de R$ 53 bilhões neste ano e o Planejamento já anunciou o remanejamento de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para pagar medidas lançadas durante a campanha.
O choque também atinge a política monetária. Um dólar mais caro pressiona a inflação, que já está em 4,62% em 12 meses no IPCA-15, acima do teto da meta, e complica o Copom, que se reúne no início de novembro com a Selic em 13,75% ao ano.





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