Rússia e China vetam resolução da ONU para reabrir o Estreito de Ormuz horas antes do prazo final de Trump
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- há 4 dias
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Texto recebeu 11 votos favoráveis mas foi bloqueado pelos dois membros permanentes do Conselho de Segurança

A Rússia e a China vetaram nesta terça-feira uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exigia a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim dos ataques iranianos a navios comerciais, num voto que ocorreu a poucas horas do prazo final dado pelo presidente Donald Trump ao regime de Teerã. A resolução recebeu 11 votos favoráveis e dois contrários, com abstenções do Paquistão e da Colômbia, mas os vetos de Rússia e China, ambas membros permanentes do Conselho com poder de bloqueio, impediram sua aprovação.
O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, foi direto na avaliação do resultado. "Ninguém deveria tolerar que eles estejam apontando a economia global para a cabeça do mundo, mas hoje Rússia e China toleraram", disse. "Eles ficaram do lado de um regime que busca intimidar o Golfo à submissão, enquanto brutaliza seu próprio povo durante um apagão nacional de internet por ousar imaginar dignidade ou liberdade." O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, cujo país apresentou a resolução, alertou que a reprovação envia "o sinal errado ao mundo", ao indicar que ameaças a rotas marítimas internacionais podem ocorrer "sem qualquer ação decisiva da organização responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais."
O texto que chegou a votação já era uma versão drasticamente enfraquecida da proposta original. A resolução inicial dos países do Golfo autorizava o uso de "todos os meios necessários", linguagem da ONU que inclui ação militar, para garantir o trânsito pelo Estreito. Depois que Rússia, China e França manifestaram oposição ao uso da força, o texto foi revisado para eliminar qualquer referência a ação ofensiva e limitar as medidas a "todos os meios defensivos necessários." Ainda assim insuficiente para os vetadores, a resolução foi enfraquecida uma segunda vez, com a retirada de qualquer menção à autorização do Conselho de Segurança e a limitação do escopo apenas ao Estreito de Ormuz, excluindo as águas adjacentes contempladas nos rascunhos anteriores. O resultado final era pouco mais que uma declaração simbólica, e mesmo assim Moscou e Pequim a bloquearam.
O veto duplo confirma o que a avaliação de inteligência ucraniana havia documentado nos dias anteriores: Rússia e China não são atores neutros neste conflito. A inteligência ucraniana já havia apontado que satélites russos fizeram ao menos 24 varreduras de instalações militares no Oriente Médio em março, com imagens compartilhadas com o Irã antes de ataques iranianos contra as mesmas instalações. O veto desta terça-feira é o braço diplomático do mesmo apoio que Moscou presta a Teerã no campo operacional.
O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, usou a tribuna para atacar os Estados Unidos e Israel após o resultado, afirmando que o texto "apenas encorajaria os Estados Unidos e o regime israelense a continuar com suas ações ilegais." A postura do regime, que continua bloqueando uma das rotas marítimas mais vitais do mundo ao mesmo tempo em que invoca o direito internacional, resume a contradição que os aliados ocidentais apontam há semanas.
Com o prazo do presidente Donald Trump vencendo às 20h do horário do leste americano, 21h de Brasília, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à imprensa que "o regime iraniano tem até as 20h horário do leste para encontrar o momento e fazer um acordo com os Estados Unidos", acrescentando que "apenas o presidente sabe onde as coisas estão e o que ele fará." O veto russo e chinês na ONU elimina qualquer ilusão de que uma solução multilateral esteja disponível, deixando o desfecho desta noite inteiramente nas mãos de Donald Trump e da resposta que o regime iraniano der nas próximas horas.




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