Setor de serviços brasileiro beira estagnação em março com PMI caindo a 50,1 e custos de insumos no maior nível em 4 meses
- Núcleo de Notícias

- 6 de abr.
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Guerra no Oriente Médio, juros altos e queda da renda familiar pressionam demanda e margens; PMI Composto recua para 49,9 e sinaliza contração do setor privado como um todo

O setor de serviços brasileiro chegou perigosamente perto da estagnação em março, com o Índice de Gerentes de Compras compilado pela S&P Global caindo de 53,1 em fevereiro para 50,1, apenas uma décima acima da linha que separa crescimento de contração. A queda de três pontos num único mês é expressiva e reflete a combinação de pressões que vêm se acumulando sobre as empresas brasileiras: a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, juros elevados, tributação crescente e uma renda familiar que encolhe em termos reais.
O choque externo se somou a fragilidades domésticas preexistentes, criando uma conjuntura em que as empresas pressionaram seus preços de venda para proteger margens, mas viram a demanda recuar em resposta.
Os custos de insumos registraram o maior aumento em quatro meses, com empresas relatando elevação nos gastos com bebidas, alimentos, frete, combustível, mão de obra, outros serviços e software. Para tentar preservar a rentabilidade diante desse cenário, os prestadores de serviços aumentaram os preços ao cliente no ritmo mais forte desde outubro. O efeito colateral foi imediato: a demanda enfraqueceu, com os novos pedidos diminuindo pela primeira vez em cinco meses. A queda nas vendas se concentrou nos subsetores de serviços ao consumidor e finanças e seguros, dois segmentos diretamente sensíveis ao nível de renda disponível das famílias e ao custo do crédito.
As empresas entrevistadas identificaram um conjunto claro de fatores por trás das dificuldades. Além da guerra no Oriente Médio, foram citados os altos custos dos empréstimos, as negociações coletivas com sindicatos e a tributação crescente. O quadro descreve uma economia em que o setor produtivo está sendo pressionado simultaneamente pela inflação de custos, pelo encarecimento do crédito e pela redução do poder de compra das famílias, sem que nenhum desses vetores mostre sinais de reversão no curto prazo.
O PMI Composto do Brasil, que combina os dados de serviços e indústria, foi ainda mais preocupante: caiu de 51,3 em fevereiro para 49,9 em março, entrando em território de contração e sinalizando que o setor privado como um todo parou de crescer. O dado é um sinal amarelo relevante para uma economia que o Banco Central já projeta crescendo apenas 1,6% em 2026, com "maior incerteza" atribuída exatamente à profundidade e extensão da guerra no Oriente Médio.




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