Trump chama OTAN de "tigre de papel" e critica Japão, Austrália e Coreia do Sul por não ajudarem na guerra contra o Irã
- Núcleo de Notícias

- 6 de abr.
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Presidente americano contrasta ausência dos aliados tradicionais com apoio das monarquias do Golfo e questiona o valor dos tratados de defesa para países que não correspondem quando os EUA precisam

O presidente Donald Trump descarregou nesta segunda-feira sua frustração com aliados que considera ingratos, chamando a OTAN de "tigre de papel" e criticando nominalmente Japão, Austrália e Coreia do Sul por não terem contribuído com forças na guerra contra o Irã. A declaração representa uma das críticas mais diretas já feitas por um presidente americano à aliança atlântica e aos parceiros do Indo-Pacífico, e chega no 36º dia de um conflito que os Estados Unidos vêm travando com apoio de Israel e de alguns países do Golfo, mas praticamente sem envolvimento das nações ricas que mais dependem da segurança americana.
"Japão não nos ajudou, Austrália não nos ajudou, Coreia do Sul não nos ajudou. E então você chega à OTAN. A OTAN não nos ajudou", disse o presidente Donald Trump. O chefe da Casa Branca não deixou o argumento no campo abstrato: lembrou que os Estados Unidos mantêm 50 mil soldados no Japão para proteger o país da Coreia do Norte e 45 mil na Coreia do Sul para conter Kim Jong Un. Em outras palavras, o presidente Trump deixou explícito o cálculo que vem fazendo: os países que se beneficiam diretamente do guarda-chuva militar americano recusaram ajuda quando os Estados Unidos pediram reciprocidade.
A crítica à OTAN como "tigre de papel" é a mais severa desde que o líder americano assumiu o segundo mandato e vai além dos desentendimentos anteriores sobre metas de gastos com defesa. Ao usar a expressão, o presidente sugere que a aliança, fundada no princípio de defesa coletiva, é retórica sem substância quando testada por um conflito real. A declaração deve produzir reações imediatas nas capitais europeias, que já vinham tentando gerenciar o relacionamento difícil com Washington desde a retomada das ameaças sobre a OTAN no início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
O presidente americano fez questão de contrastar a ausência dos aliados ocidentais com o comportamento das monarquias do Golfo. Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos foram citados nominalmente por ele como países que efetivamente contribuíram para o esforço de guerra. O reconhecimento é politicamente relevante: são países que historicamente dependem dos Estados Unidos para sua segurança, mas que neste conflito demonstraram disposição de se envolver ativamente, ao contrário das democracias industrializadas do Ocidente e do Pacífico.
A declaração do presidente Donald Trump é também um sinal para o debate que virá depois da guerra. Com um pedido de US$ 1,5 trilhão para defesa no orçamento de 2027 e a percepção crescente de que os aliados americanos aproveitam o guarda-chuva de segurança sem pagar o custo correspondente, o presidente dos Estados Unidos está construindo a base para revisões profundas nos compromissos de defesa americanos ao redor do mundo. Japão, Coreia do Sul e os membros europeus da OTAN foram avisados, publicamente e por nome, de que a conta chegará.




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